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03.06.2019

Música é capaz de ajudar no desenvolvimento do cérebro dos prematuros nas UTIs

Na Suíça, assim como na maioria dos países industrializados, quase 1% das crianças nascem "muito prematuramente", ou seja, antes da 32 semanas de gestação. Isso representa cerca de 800 crianças por ano. Apesar dos muitos avanços na medicina neonatal, esses bebês ainda correm um alto risco de desenvolver distúrbios neuropsicológicos.

"Ao nascer, os cérebros desses bebês ainda são imaturos, e o desenvolvimento deve continuar na unidade de terapia intensiva, em uma incubadora, sob condições muito diferentes do que se ainda estivessem no ventre da mãe", explica a professora Petra Hüppi, que conduziu o estudo. "A imaturidade do cérebro, combinada com um ambiente sensorial perturbador, explica por que as redes neurais não se desenvolvem normalmente", completa.

Para ajudar esses pequenos ainda nas UTIs Neonatais, os pesquisadores da Universidade de Genebra (UNIGE) e do Hospital Universitário de Genebra (HUG), na Suíça, encontraram uma solução genial: músicas compostas especialmente para eles! E os primeiros resultados - publicados no Proceedings of National Academy of Sciences (PNAS), nos Estados Unidos - são surpreendentes: imagens médicas revelam que as redes neurais de bebês prematuros que ouviram essas músicas, e em particular uma rede envolvida em muitas funções sensoriais e cognitivas, estão se desenvolvendo muito melhor.

Os pesquisadores de Genebra partiram de uma idéia prática: como os déficits neurais dos bebês prematuros são devidos, ao menos em parte, a estímulos inesperados e estressantes, bem como à falta de estímulos adaptados à sua condição, seu ambiente deve ser enriquecido pela introdução de estímulos agradáveis. Como o sistema auditivo é funcional desde cedo, a música parece ser um bom candidato. Mas qual música? "Felizmente, conhecemos o compositor Andreas Vollenweider, que já havia realizado projetos musicais com populações frágeis e que demonstraram grande interesse em criar músicas adequadas para crianças prematuras", diz Petra.

"Era importante que esses estímulos musicais estivessem relacionados com a condição do bebê. Queríamos estruturar o dia com estímulos agradáveis nos momentos apropriados: uma música para acompanhar o despertar, uma música para acompanhar o adormecer e uma música para interagir durante o sono", explicou a pesquisadora Lara Lordier. Para escolher instrumentos adequados para esses pacientes muito jovens, Andreas Vollenweider tocou vários tipos de instrumentos para os bebês, na presença de uma enfermeira especializada em cuidados de apoio ao desenvolvimento. "O instrumento que mais gerou reações foi a flauta", lembra Lara. "Crianças muito agitadas se acalmaram quase instantaneamente. Sua atenção foi atraída pela música", diz.

OS RESULTADOS DO ESTUDO

O estudo foi realizado com um grupo de bebês prematuros que ouviram a música, um grupo controle de bebês prematuros e um grupo controle de recém-nascidos a termo para avaliar se o desenvolvimento cerebral de bebês prematuros que ouviram a música seria mais parecido com o dos bebês nascidos a termo. Os cientistas usaram ressonância magnética funcional em repouso em todos os três grupos de crianças. Sem música, os bebês prematuros geralmente tinham conectividade funcional mais pobre entre as áreas do cérebro do que os bebês nascidos a termo, confirmando o efeito negativo da prematuridade.

Na terapia intensiva, as crianças são dominadas por estímulos não relacionados à sua condição: portas abertas e fechadas, alarmes disparados etc. Ao contrário de um bebê a termo que, no útero, ajusta seu ritmo ao de sua mãe, o bebê prematuro em uma UTI, dificilmente pode desenvolver a ligação entre o significado de um estímulo em um contexto específico. Por outro lado, as redes neurais de crianças que ouviram a música de Andreas Vollenweider foram significativamente melhoradas: a conectividade funcional entre a rede de saliência e as redes auditiva e sensorimotora aumentaram de fato, resultando em uma organização de redes cerebrais mais parecida a dos bebês nascidos a termo.

As primeiras crianças inscritas no projeto têm agora 6 anos de idade, fase em que os problemas cognitivos começam a ser detectáveis. Por isso, os cientistas pretendem reavaliar seus pacientes jovens para observar se os resultados positivos medidos nas primeiras semanas de vida foram mantidos.

Fontes: Revista Crescer (notícia original publicada em 29/05/19).
(Foto: Stéphane Sizonenko - UNIGE ABRAÇO)

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