

02 de Julho de 2026
Anthony
Conta um pouco da história de como tudo começou.
A minha gravidez foi um pouco complicada: pressão alta, diabetes tipo 2, mas fiz o controle durante toda a gravidez para que nada afetasse o bebê. E assim ela progrediu, sem nenhuma intercorrência, com todos os ultrassons normais. Porém, uma infecção urinária sem sintomas adiantou meu parto.
Cheguei ao Hospital Santa Casa com 7 dedos de dilatação. Me internaram, aplicaram medicamentos para tentar segurar o parto e também medicamentos para amadurecer o pulmão e o cérebro do bebê. Passei o dia todo naquela cama de hospital, sem poder levantar e com muita dor. Eu só escutava das médicas e dos médicos: "Olha, é só por um milagre." "É muito prematuro, um prematuro extremo de 26 semanas." E a única coisa que eu escutava da boca de toda a equipe era a mesma frase: "Olha, não vou te dar esperança, é só por um milagre."
Assim passei o dia. Quando começou a noite, eu estava com muita dor, já tinha dilatado 9 dedos e só o que segurava o Anthony era a bolsa. À noite, vieram me examinar mais uma vez e viram que ele tinha virado, minha bolsa estava vazando e eu estava passando muito mal. Juro que achei que eu e ele não fôssemos sobreviver.
Assim, me levaram para a sala de parto. Eu estava com medo, com dor, e fui para a cesárea. Minha bolsa estourou, começaram a aplicar a anestesia, mas, no meio da cirurgia, ela começou a passar, e eu comecei a sentir dor. Tive que tomar anestesia geral. Ali eu apaguei e não vi mais nada.
Quando acordei, desnorteada, só queria saber do meu bebê e como ele estava. E ouvi a mesma frase: "Mãe, é só por um milagre. Ele é um prematuro extremo e não sabemos se vai sobreviver."
Mas a minha fé era maior que tudo.
Ele teve uma parada cardíaca ao nascer. Conseguiram trazê-lo de volta, e ele foi entubado. Ali começou a minha luta. Com 12 pontos e cheia de dor, me levantei para vê-lo na UTI Neonatal. Quando o vi na incubadora, tão pequeno, tão machucadinho, eu só sabia chorar. E continuei escutando a mesma frase: "Olha, mãe, só por um milagre. Um prematuro extremo de 26 semanas com 680 gramas."
Desci para o quarto e só sabia orar e pedir a Deus para não levar meu menino. Essa foi a minha oração por dias, até ele começar a ficar estável e ganhar seu primeiro quilinho.
Quando ele ganhou seu primeiro quilo, veio a primeira intercorrência: broncodisplasia pulmonar. Não puderam desentubá-lo. Ali começou o tratamento com corticoides e outras medicações. Ele melhorou. Os médicos disseram que iam desentubá-lo.
Mas veio a segunda intercorrência: o pulmão dele sangrou. E sangrou tanto que ele ficou tão mal que, quando o vi, achei que era outro bebê. Foram dias de mais orações e muito medo. Graças a Deus, ele se recuperou, porque nessa intercorrência ele quase se foi.
Depois de mais alguns dias, tentaram desentubá-lo novamente, mas surgiu outra intercorrência: ele pegou um fungo no pulmão. Mais um tratamento. Depois ele ganhou mais peso, chegou aos 2 quilos. Tentaram desentubá-lo outra vez, mas ele não aguentou e fez atelectasia pulmonar.
Assim foram cinco tentativas de desentubação, fora as vezes em que ele mesmo tirava o tubo, e todas falharam.
Até que os médicos vieram conversar comigo e com meu marido sobre a traqueostomia. No começo nos assustamos e não queríamos autorizar, mas Deus já tinha determinado que aquilo era necessário. Depois aceitamos.
Ele evoluiu, ganhou mais peso e quase fomos para casa. Porém, a broncodisplasia que ele tem não tem cura; ela melhora com o tempo. E, por ele ainda ser pequeno, não consegue manter o pulmão funcionando sozinho, sem o ventilador mecânico. Então ele permaneceu com a traqueostomia.
Por fim, ele começou a ter episódios de ficar roxinho, fazer cianose e, algumas vezes, precisaram trazê-lo de volta porque teve paradas respiratórias.
Depois de 6 meses, fomos transferidos da Santa Casa para o Hospital Luzia, onde havia uma UTI Pediátrica para ele ficar. Chegamos aqui, começaram novos exames, novos remédios e, acima de tudo, tivemos que ter paciência para esperar ele crescer, fortalecer o pulmão e ganhar mais força.
Pela graça de Deus e pela dedicação dos médicos, que até compraram um medicamento que o hospital não tinha para fornecer, ele começou a melhorar. E, nesses 3 meses que ainda estamos aqui, recebemos os papéis para fazer o pedido dos aparelhos e do oxigênio para que possamos receber alta.
O Anthony é realmente um milagre. Ele superou tudo o que eu ouvia que não ia acontecer. Mostrou o quanto é forte, e Deus mostrou que é o Deus dos milagres, fazendo o meu milagre acontecer e nos ajudando a superar todos os obstáculos e intercorrências que surgiram pelo caminho.
Agradeço a todos que sempre estiveram ao lado dele no hospital, pelo carinho que as técnicas, enfermeiras e médicos têm por ele. E, principalmente, agradeço a Deus pela família linda que Ele me deu e pelo meu marido, que esteve ao nosso lado durante todo esse tempo, nunca nos abandonou e sempre demonstrou o maior amor e carinho por nós dois.
Hoje também agradeço a todos que estão ajudando com a vaquinha do Anthony para conseguirmos tudo o que ele precisa para ir para casa.


