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09.07.2026

Prevenção do VSR: como os municípios podem fortalecer a proteção dos bebês mais vulneráveis

Desde fevereiro de 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer uma nova estratégia de proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR): o anticorpo monoclonal nirsevimabe. A incorporação representa um importante avanço para a redução das formas graves de bronquiolite e outras infecções respiratórias causadas pelo VSR, especialmente entre bebês prematuros e crianças com condições clínicas que apresentam maior risco de hospitalização.

Atualmente, além das medidas gerais de prevenção, como a higienização frequente das mãos, a etiqueta respiratória e a redução da exposição de bebês a pessoas com sintomas respiratórios, o Brasil dispõe de duas importantes estratégias de proteção contra o VSR: a vacinação durante a gestação e o anticorpo monoclonal nirsevimabe para crianças elegíveis.

Além de organizar a estratégia de proteção para os bebês elegíveis ao nirsevimabe, os municípios também desempenham um papel essencial na ampliação da cobertura da vacinação materna contra o VSR. De acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), a vacina recombinante contra o VSR está indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gestação, em dose única, durante cada gestação, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida por meio da transferência de anticorpos maternos. Garantir que essa vacina esteja disponível, que as equipes do pré-natal conheçam a estratégia e que as gestantes sejam orientadas sobre sua importância é uma ação fundamental para reduzir hospitalizações e formas graves da doença em lactentes.

De acordo com o Ministério da Saúde, o nirsevimabe está disponível no SUS para bebês prematuros menores de 6 meses de idade e para crianças de até 24 meses com condições clínicas específicas, conforme os critérios definidos na estratégia nacional de imunização. A recomendação é que os bebês elegíveis recebam essa proteção ainda durante a internação na maternidade, antes da alta hospitalar. Quando isso não é possível, a rede de atenção deve garantir que essas crianças sejam identificadas e protegidas o mais rapidamente possível.

É justamente nesse ponto que o papel dos municípios se torna fundamental.

São os gestores municipais, juntamente com suas equipes de saúde, que fazem com que uma política pública saia do papel e chegue, de fato, às famílias. São eles que organizam os fluxos assistenciais, qualificam as equipes, fortalecem a comunicação, monitoram os resultados e garantem que o direito à proteção alcance as crianças que mais precisam.

Cada município tem uma realidade diferente. Mas algumas perguntas ajudam a avaliar se a estratégia de proteção contra o VSR está chegando, de fato, às crianças que dela precisam

Perguntas que todo gestor municipal pode fazer

  • O município possui maternidade com UTI Neonatal?
  • Essa maternidade integra a Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE)?
  • Está habilitada como Centro Intermediário de Imunobiológicos Especiais (CIIE)?
  • Caso não seja CIIE, o fluxo com o CRIE de referência está estabelecido e funcionando?
  • Quem identifica os bebês elegíveis antes da alta hospitalar?
  • As famílias recebem orientação sobre essa estratégia de proteção ainda durante a internação?
  • Existe uma estratégia para localizar rapidamente os bebês que receberam alta sem o nirsevimabe?
  • A Atenção Primária à Saúde, os ambulatórios de seguimento e os Agentes Comunitários de Saúde conhecem esse fluxo?
  • O município acompanha indicadores relacionados à identificação e proteção dessas crianças?

Responder a essas perguntas é um bom ponto de partida para identificar gargalos e oportunidades de melhoria na implementação da estratégia.

8 ações que podem fortalecer a proteção infantil no seu município hoje

A boa notícia é que muitas ações podem ser implementadas imediatamente e têm potencial para ampliar o acesso das crianças elegíveis à proteção.

  1. Conheça o fluxo de proteção contra o VSR no seu município: verifique se a(s) maternidade(s) integra(m) a RIE ou está(ão) habilitada(s) como CIIE e, caso não esteja(m), se o fluxo com o CRIE está funcionando.
  2. Garanta que todos os bebês elegíveis sejam identificados ainda durante a internação.
  3. Organize estratégias de busca ativa para os bebês que receberam alta sem a proteção.
  4. Qualifique equipes do pré-natal, maternidades, Atenção Primária, CRIE e ambulatórios de seguimento.
  5. Fortaleça a comunicação com as famílias utilizando UBS, maternidades, redes sociais e demais canais do município.
  6. Integre maternidades, APS, ambulatórios de seguimento, CRIE e Secretaria Estadual de Saúde.
  7. Monitore os indicadores e registre corretamente todas as aplicações.
  8. Ouça as famílias e construa soluções em parceria com a sociedade civil e o Conselho Municipal de Saúde.

Garantir que a informação chegue às famílias e que a rede esteja preparada para acolher essas crianças é tão importante quanto disponibilizar a tecnologia. Quando os fluxos funcionam, a política pública deixa de existir apenas no papel e passa a proteger, de fato, quem mais precisa.

A proteção das crianças mais vulneráveis não depende apenas da existência de uma tecnologia. Ela depende de uma rede organizada, de profissionais preparados e de gestores comprometidos em fazer com que essa proteção chegue, no tempo certo, a todas as famílias que dela precisam.

Referências:

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