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23.01.2026

VSR: SUS começa a aplicar nirsevimabe em prematuros e crianças de alto risco

Entenda como vai funcionar a estratégia do SUS para proteger bebês contra o vírus sincicial respiratório, o VSR.

O nirsevimabe estará disponível no SUS para a proteção de crianças recém-nascidas contra o vírus sincicial respiratório (VSR) a partir de fevereiro deste ano. Aplicado em dose única e com proteção por até seis meses, o imunizante previne casos graves e reduz o número de hospitalizações provocadas pelo vírus.

Ele faz parte de uma estratégia combinada de prevenção: todas as gestantes devem tomar a vacina Abrysvo, também disponível pelo SUS, com o objetivo de transferir os anticorpos contra o VSR para o bebê através da placenta. Se a criança nascer prematura, não havendo tempo suficiente para essa transferência, ou se ela for de alto risco, deverá receber o nirsevimabe logo ao nascer.

A ideia é que, de uma forma ou de outra, todas as crianças estejam protegidas contra o vírus logo nos primeiros meses de vida. O VSR infecta 100% das crianças de até 2 anos de idade e é responsável por 90% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias pediátricas.

Quem pode tomar o nirsevimabe?

O nirsevimabe é recomendado para todas as crianças prematuras (idade gestacional igual ou menor que 36 semanas e 6 dias) e bebês com comorbidades. Bebês com cardiopatia congênita, doença pulmonar crônica (broncodisplasia), doenças neuromusculares, fibrose cística, anomalias congênitas das vias aéreas, síndrome de Down ou imunocomprometidos graves também receberão o anticorpo no segundo ano de vida, dessa vez considerando o período de sazonalidade do vírus, ou seja, fevereiro a agosto.

O bebê já vai sair da maternidade imunizado?

Em municípios pequenos, muitas vezes não há sala de vacinação nas maternidades ou o movimento é baixo. Nesses casos, os pais devem levar a criança para ser imunizada o quanto antes.

“A grande parte dos prematuros vai receber [o nirsevimabe] na maternidade, mas haverá polos de aplicação e centros de imunizações localizados em uma rede que se chama Rede de Imunobiológicos Especiais, ou RIE. E as crianças que têm indicação para a segunda temporada, 100% delas receberão nessa rede”, explica Renato Kfouri, secretário do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Não existe um período mínimo nem máximo para receber o anticorpo, mas o ideal é que a criança esteja protegida logo no primeiro semestre de vida, quando ocorrem cerca de 75% das hospitalizações pelo vírus sincicial respiratório. Segundo o Ministério da Saúde, o nirsevimabe estará disponível no SUS durante o ano inteiro.

Bebês menores de 6 meses também poderão ser imunizados este ano

É importante lembrar que os bebês prematuros ou de alto risco que nasceram a partir de agosto de 2025 também serão convocados para a imunização nesta temporada, contanto que não tenham mais de seis meses de vida no momento da aplicação.

Para as crianças que começaram o esquema com palivizumabe (outro anticorpo monoclonal disponível no SUS) em 2025, a recomendação é manter o mesmo medicamento até a conclusão das cinco doses na sazonalidade de 2026, evitando a troca entre palivizumabe e nirsevimabe ao longo da mesma temporada.

“É fundamental termos uma cobertura vacinal elevada. O investimento que está sendo feito é um investimento gigantesco, jamais feito pelo Programa Nacional de Imunizações. Estamos falando de produtos caríssimos e que têm um impacto enorme de redução demonstrado por vários países. Vamos economizar muito dinheiro com essas estratégias, desde que haja, de fato, adesão à vacinação”, destaca o dr. Renato.

Fonte: Drauzio 

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