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06.12.2021

Uma Família de Prematuros

A prematuridade define-se quando um bebê nasce antes de se completar 37 semanas de gestação. O Brasil está em 10º lugar no ranking dos países com mais nascimentos prematuros no mundo.

O bebê prematuro é classificado de acordo com a idade gestacional:

-Bebê prematuro extremo: nascido antes de 28 semanas de gestação

-Bebê muito prematuro: nascido entre 28 e 32 semanas de gestação

-Bebê prematuro moderado a tardio: nascido entre 32 e 37 semanas de gestação

Quanto mais prematuro o bebê for, mais riscos de saúde ele vai ter, pois seus órgãos e sistema não estão completamente desenvolvidos.

Algumas características do bebê prematuro:

-Músculos mais fracos

-Movimentos físicos reduzidos

-Orelhas finas e pouco encurvadas

-Cabeça proporcionalmente maior que o corpo

-Respiração mais rápida e irregular

Os prematuros têm uma dificuldade em manter o calor do corpo, além de apresentar outras diversas complicações, como as respiratórias, dificuldade de se alimentar, retinopatia, autismo e neurológicos.

Causas do parto prematuro:

-Infecções

-Diabetes gestacional

-Problemas na pressão arterial levando a pré-eclâmpsia ou eclampsia

-Uso de bebidas alcoólicas e drogas

Tratamentos para o bebê prematuro:

Ao nascer, o prematuro já é encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), usa aparelhos que permitem acompanhar sua evolução de saúde, como o monitoramento de sinais vitais, intubação para receber o leite materno e poder se alimentar, as vezes recebem alguma transfusão de sangue e ficam na incubadora para manter a temperatura corporal. O bebê prematuro normalmente na UTIN frequentemente é atendido por uma equipe multidisciplinar composta por: Neonatologista, Nutricionista, Fisioterapeuta e Fonoaudiólogo.

Em entrevista para a ONG Prematuridade.com, Patrícia Maria Neves Polli conta sua história de vida. Seu filho, Gabriel Neves Polli, nasceu prematuro de 28 semanas pesando 1,238kg e ficou 45 dias internados na UTIN do Hospital Montreal de Osasco. Gabriel nasceu com paralisia cerebral e ficou cego por erros médicos devido a algumas medicações erradas que foram dado ao pequeno. Sua gestação tinha tudo para se manter até o final dela, até passar por um rompimento da bolsa, e assim se manter de repouso. “Se passou uns dois dias, e eu acabei entrando em trabalho de parto e fui para o hospital”, conta Patrícia.

Assim que Patrícia chegou ao hospital, foi lhe informado que seu bebê estava com os pés para baixo e a cabeça em cima, além do deslocamento da placenta e da hemorragia, ocasionando uma cesária de emergência. Após seu nascimento, foi diagnosticado com paralisia cerebral e ficou cego das duas vistas por erros médicos comprovados.

“Foi bastante complicado, pois ele estava com seis meses quando eu comecei a perceber que quando eu acendia a luz, ele não se assustava, mas quando eu chegava perto para falar com ele, ele se estremecia”.

Patrícia conta que assim que descobriu a deficiência do seu filho, abriu um processo contra o hospital, e descobriu que o médico já tinha cinco processos pela mesma situação. Gabriel começou a andar com cinco anos de idade e deixou de usar fraldas aos sete anos.

Em 1991, foi lançado uma campanha “SOS Gabriel”, para arrecadar fundos e conseguir levar ele para os Estados Unidos, e assim fazer uma cirurgia que pudesse fazer com que ele voltasse a enxergar. “Naquela época, cada olho custada quinze mil dólares. A cada seis mil cruzeiros para conseguir um dólar”. Com a campanha, foi arrecadado o valor de quinze mil dólares. Uma empresa da suíça ficou sabendo do caso, e ajudou a família ir para os Estados Unidos em busca da cirurgia do Gabriel. “Demoramos mais de seis meses para levantar o dinheiro, e quando chegamos lá, não tinha o que ser feito, já estava no último estágio”. Assim que retornaram para o Brasil, procuraram pelas demais especialidades para cuidar do pequeno guerreiro.

Depois de tanta luta, em 2019, Liam Neves Polli, filho de Carolina Neves Polli e neto de Patrícia, nasceu de 29 semanas, no dia 23 de fevereiro de 2019, pesando 1100,00 kg com 38 cm, no Hospital Vidas, de Santo Amaro. Liam não tinha os órgãos todos formados, além de convulsões. “Minha filha estava internada na UTI e não me deixavam ver o meu neto, pois falavam que avó não era família”. Toda a luta pelo Gabriel, acabou voltando com a luta pelo Liam.

“Minha filha, após ter alta, ficava na recepção do Hospital, aguardando sua hora de visita para ver seu filho, e nesse processo acabou pegando uma infecção hospitalar e teve que ficar internada novamente, e passamos por todo o mesmo processo de novo”.

Depois de três meses internado na UTIN, Liam recebeu alta. “No Dia das Mães quando eu cheguei em casa, do serviço, cansada, eu abri a porta, minha filha estava com ele no colo, ele tinha ganhado alta, eu não sabia se eu ria ou se eu chorava. Ver ele em casa, foi tudo”, diz Patrícia enquanto comentava sobre sua preparação com o seu filho e em seguida com o seu neto.

A segunda fase da prematuridade na família, foi mais fácil de ultrapassar os obstáculos. Durante todo o aprendizado com o Gabriel, passar pela mesma fase com o Liam, foi mais tranquilo, por saber melhor de todo o processo.

“Era angustiante saber que minha filha passaria por tudo aquilo que eu passei. Minha filha tinha meu apoio, o apoio do meu marido e dos irmãos dela. O pai do meu neto sumiu, e então minha filha ficou bastante abalada emocionalmente e pela situação que estava passando”.

A renda da família é totalmente comprometida diretamente para comprar os leites do Liam. “Minha mãe gasta toda sua aposentadoria comprando os leites do liam. O governo ajuda, mas com 2 anos de idade, eles param de ajudar e o Liam já vai fazer 2 anos e não come nada, não sei como vamos fazer para manter o leite dele”, desabafa Patrícia.

No dia 2 de outubro, Patrícia perdeu seu marido. Ele foi diagnosticado com COVID-19 e teve três paradas cardíacas antes de falecer. Sua filha não consegue trabalhar por causa de todo o processo que passa pelo Liam e a renda familiar é totalmente comprometida.

Atualmente Liam está aos poucos se desenvolvendo e aprendo mais sobre a vida, e Gabriel é jogador profissional de vídeo game, já participou de uma entrevista com o apresentador Danilo Gentilli.

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