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28.05.2021

Rafael Nosso Pequeno Milagre

"Meu nome é Thiago, esposo da Janaina, estamos juntos há dez anos, e por diversos motivos, entre eles doenças, fomos adiando o sonho de sermos pais, até notarmos que estávamos os dois entrando nos quarenta anos.

Em 2017 descobrimos a gravidez, a alegria, os sonhos, todos os sentimentos de amor. Porém esta alegria durou apenas três semanas, quando descobrimos que a gravidez era ectópica. Tudo desmoronou, a alegria deu lugar ao desespero, e só não mudou nosso amor.

Em 20 de junho de 2018 minha esposa me deu a notícia abençoada de uma nova gestação. A alegria toma conta de minha alma, eu não cabia em mim, mas ao mesmo tempo o medo de tudo acontecer novamente é muito forte.

Eu não sabia como agir, mas a fé de que Deus é maior que tudo nunca me abandonou. Tudo corria bem, até que a Jana me ligou em uma tarde, fazia apenas duas semanas que havíamos descoberto a gravidez, me falando que tinha tido um pequeno sangramento. Entrei em desespero, corri para encontrar uma clínica para fazermos uma ecografia, a providência divina nos ajudou novamente, e encontramos uma que podia nos atender naquele momento.

A ansiedade de ver se havia uma bolsa gestacional, se o bebê estava bem, tudo me consumia. Graças a Deus tudo estava bem, porém, neste primeiro mês foram cinco ecografias, devido aos sangramentos que continuavam.

Em um domingo de tarde olhei para minha esposa e ela não precisou dizer nada, o sangramento tinha vindo com tudo, corremos para o hospital já desesperançados, certos que nosso bebê havia ido embora. Ela foi levada para o CO e eu fiquei na sala de espera, naquele momento me lembrei da passagem Bíblica onde Jesus trouxe Lázaro dos mortos, e clamei a ele que não deixasse nosso filho partir, que ele permitisse que nosso filho ficasse conosco. Clamei a Nossa Senhora, que foi mãe que protegesse nosso filho, e depois conversando com minha esposa ela me confessou que fez exatamente a mesma coisa.

De repente vi uma equipe entrando com uma maca, e fui informado que minha esposa seria transferida para outro hospital, a 50 km, para uma avaliação melhor. Neste hospital o médico nos informou que o bebê estava bem, mas se ele quisesse "sair" nada poderia ser feito. Viemos para casa aliviados e preocupados, mas com a fé que Deus havia salvado o nosso filho.

Na segunda-feira nova eco, onde constatamos que minha esposa havia tido um descolamento do saco gestacional, e que havia cicatrizado milagrosamente, segundo o médico, e que deveria apenas manter repouso. Deste dia em diante tudo correu bem, até o dia 05 de dezembro, quando a Jana foi a uma consulta de rotina, onde a médica constatou que ela estava com sete centímetros de dilatação, com apenas 28 semanas de gestação. Corremos para o hospital, internamos imediatamente no centro obstétrico para tentar segurar o Rafa o maior tempo possível. Foram nove dias muito intensos, e a cada dia que passava nós agradecíamos a Deus pela vitória. No dia 13 de dezembro fui até o hospital ao meio dia, e conversei com meu filho, para ele não nascer sem o pai estar com ele. Voltei para o trabalho, e às 15 horas entrei de férias. Quando voltei pra casa para tomar um banho e descansar antes de voltar para o hospital, minha esposa me liga e pede para eu ir mais cedo, pois as contrações haviam começado. Cheguei no hospital às 16:30 e às 20:24 Deus nos entregou o Rafael, com 29 semanas e 3 dias, pesando 1,618 kg e 34 cm, nascido de parto natural, que eu tive a benção de acompanhar.

Nos mostraram nosso bebê e ele foi levado para UTI Neonatal. Chegando lá para ver ele, questionei a médica sobre a situação dele, e ela me informou: "Ele é prematuro extremo e está em uma UTI". Porém Deus está presente em todos os segundos de nossa vida, e o Rafael só evoluiu a cada dia, foram sete dias de fototerapia, cinco de cipap e nada mais, só esperar o peso. Cada dia uma vitória e um aprendizado, o primeiro canguru, o primeiro dia de mamar no peito, o primeiro banho, a primeira fralda trocada, uma alegria atrás da outra.

Foram 49 dias e noites de UTI, nossa ceia de Natal foi com ele, nosso réveillon foi com ele, e no dia 31 de janeiro de 2019 nosso presente de Deus veio para casa. Foram dias de muita luta mas que eu não trocaria, a experiência que realmente me completou como ser humano, e que fez alicerçar muito mais minha fé, e ter certeza que Deus nunca abandona aqueles que clamam e se entregam a ele."

(Relato do papaei Thiago, enviado em 2019)

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