Hotsite vinculado ao Prematuridade.com

Palivizumabe e vacinação do prematuro

  • Facebook
  • Instagram
  • Twitter
  • Youtube

Calendário de vacinação do prematuro

Texto atualizado em 22/04/2019.

Sempre que falamos em prematuro, temos que falar de IMUNIZAÇÃO (ou vacinação)!

Sim, porque nossos pequenos são mais vulneráveis à algumas infecções e, por isso, possuem um esquema especial de vacinação.

Aqui, vocês vão encontrar a relação atualizada das principais vacinas e quando elas devem ser administradas para os prematuros.

O calendário de vacinação dos prematuros, assim como os próprios, é um tanto especial. Aqui vamos explicar tudo direitinho para vocês!

O bebê prematuro deve receber todas as vacinas de praxe, aquelas do calendário vacinal do Ministério da Saúde. Além dessas, os pequenos também devem receber algumas outras imunizações essenciais para garantir que estejam protegidos contra infecções potencialmente fatais.

Primeiro, vamos falar do calendário tradicional, recomendado pelo Ministério da Saúde. A imagem abaixo ilustra as tradicionais vacinas do calendário básico, você pode até imprimir para fixar em sua casa:

 

(Fonte da Imagem)

Agora vamos falar especificamente da vacinação dos prematuros!

Confira na tabela os esquemas e recomendações das vacinas e Imunoglobulinas recomendadas no primeiro ano de vida, assim como a disponibilização das redes públicas e privadas. A imagem a seguir e o texto foram retirados do site da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

SBIM2019


Confira aqui o PDF para visualizar melhor.

1. BCG ID: Deverá ser aplicada o mais precocemente possível, de preferência ainda na maternidade. Em caso de suspeita de imunodefciência ou RNs cujas mães fizeram uso de drogas imunossupressoras durante a gestação, a vacina pode estar contraindicada (consulte os Calendários de vacinação SBIm pacientes especiais).

2. Anticorpo monoclonal específico contra o VSR (palivizumabe): Deve ser aplicada nos meses de maior circulação do vírus, o que depende da região do Brasil: região Norte, de janeiro a junho; região Sul, de março a agosto; regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, de fevereiro a julho. O Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente para:
• Prematuros até 28 semanas gestacionais, no primeiro ano de vida.
• Bebês com doença pulmonar crônica da prematuridade e/ou cardiopatia congênita,
até o segundo ano de vida.
O uso em portadores de doença pulmonar crônica e/ou cardiopatias congênitas está indicado independente da idade gestacional ao nascer. Clique aqui e veja tudo que você precisa saber!

3. Hepatite B: O uso da vacina combinada DTPa-HB-VIP-Hib deve ser considerado, inclusive para RNs hospitalizados. Os RNs de mães HBSAg+ devem receber ao nascer, além da vacina, imunoglobulina específica contra hepatite B (IGHAHB).

4. Rotavírus: Em caso de suspeita de imunodeficiência ou RNs cujas mães fizeram uso de biológicos durante a gestação, a vacina pode estar contraindicada (consulte os Calendários de vacinação SBIm pacientes especiais).

5. Tríplice bacteriana (difteria, tétano, coqueluche): A utilização de vacinas acelulares reduz o risco de eventos adversos. Em prematuros extremos, considerar o uso de analgésicos/antitérmicos profiláticos com o intuito de reduzir a ocorrência desses eventos, principalmente eventos cardiorrespiratórios e convulsão.

6. Haemophilus influenzae b: Na rede pública, a vacina Hib combinada com DTPa não está disponível, por esse motivo, para os RNPTs extremos, a conduta do Ministério da Saúde é adiar a vacina Hib para 15 dias após a administração de DTPa. O uso das vacinas combinadas a DTPa (DTPa-HB-VIP-Hib ou DTPa-VIP-Hib) são preferenciais, pois permitem a aplicação simultânea e se mostraram eficazes e seguras para os RNPTs.

7. Poliomielite inativada (VIP): Preferir as vacinas combinadas: DTPa-HB-VIP-Hib e DTPa-VIP-Hib.

8. Pneumocócica conjugada: RNPTs e de baixo PN apresentam maior risco para o desenvolvimento de doença pneumocócica invasiva, tanto maior quanto menor a idade gestacional e o PN.

9. Meningocócicas conjugadas: Sempre que possível, preferir a vacina menACWY no esquema básico e nos reforços; na sua impossibilidade, utilizar a vacina meningocócica C conjugada. A fim de reduzir a frequência de eventos adversos, a vacina meningocócica B deve ser aplicada preferencialmente em separado das vacinas pneumocócica e pertussis e deve-se considerar o uso de antitérmico profilático. 

10. Influenza: Desde que disponível, a vacina influenza 4V é preferível à vacina influenza 3V, por conferir maior cobertura das cepas circulantes. Na impossibilidade de uso da vacina 4V, utilizar a vacina 3V. 

11. Febre amarela: Vacina atenuada. Portanto, contraindicada em caso de imunodeficiência.

12. Imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHAHB): Aplicar preferencialmente nas primeiras 12 a 24 horas de vida, até, no máximo,
o sétimo dia de vida.

13. Imunoglobulina humana antivaricela zóster (IGHVZ): Independente da idade gestacional ou PN, recomendar para RN cuja mãe tenha
apresentado quadro clínico de varicela de cinco dias antes até dois dias depois do parto.

14. Imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT): Independente da idade gestacional ou PN, deve ser aplicada para RNs prematuros sob
risco potencial de tétano.

31/08/2018: O uso simultâneo de múltiplas doses injetáveis em RNPTs pode associar-se à apneia, devendo-se dar preferência à administração de menor número de injeções em cada imunização. Qualquer dose não administrada na idade recomendada deve ser aplicada na visita subsequente. Eventos adversos significativos devem ser notificados às autoridades competentes.

Observações:

A vacinação de contactantes é especialmente indicada para quem convive ou cuida de RNPT* e inclui as vacinas: coqueluche, influenza, varicela, sarampo, caxumba e rubéola.

E para quê servem todas essas vacinas? Quais os efeitos colaterais?

Entenda como funcionam as principais vacinas aplicadas na primeira infância desses pequenos:

BcG ID

Essa é a famosa vacina que deixa uma pequena cicatriz no braço. Ela imuniza contra as formas graves da tuberculose, doença contagiosa, produzida por bactéria que atinge principalmente os pulmões e que, se não for tratada, pode provocar sérios problemas respiratórios, emagrecimento, fraqueza e até levar à morte.

A tuberculose é transmitida de pessoa a pessoa pelo ar, por meio de tosse, espirro ou fala. Os principais sintomas são: febre ao final do dia, tosse, fraqueza, cansaço e perda de peso.

É aplicada por via intradérmica (na camada superficial da pele), de preferência no braço direito, após o nascimento (ainda na maternidade), em apenas uma dose, em recém-nascidos com peso maior ou igual a 2kg. Poucos estudos mostram eventual diminuição da resposta imune ou eventos adversos à BCG em menores de 1,5kg a 2kg. Por precaução, aguardar 2kg ou idade de 1 mês para vacinar.

Hepatite B

Protege contra a Hepatite B, doença causada por um vírus e que provoca mal-estar, febre baixa, dor de cabeça, fadiga, dor abdominal, náuseas, vômitos e aversão a alguns alimentos. A Hepatite B é grave porque pode levar a uma infecção crônica (permanente) do fígado e, na idade adulta, ao câncer de fígado.

O ideal é que a vacina seja administrada ainda na maternidade, por via intramuscular na parte lateral da coxa ou superior do braço. São necessárias 3 doses: a primeira ao nascer (de preferência até 12h de vida); a segunda dose com 1 mês de idade, e a terceira aos 6 meses.

Devido à menor resposta à vacina em bebês nascidos com idade gestacional inferior a 33 semanas e/ou com menos de 2kg, desconsidera-se a primeira dose e aplicam-se mais 3 doses (esquema 0-1-2 e a última dose de 6 a 12 meses após a primeira dose).

Os bebês de mães portadoras do vírus da Hepatite B devem receber ao nascer, além da vacina, imunoglobulina específica para hepatite B (HBIG) na dose de 0,5 mL via intramuscular até no máximo 7 dias de vida.

Pneumocócica conjugada

Essa vacina protege as crianças de bactérias tipo pneumococo, que causam doenças graves como meningite, pneumonia, otite média aguda, sinusite e bacteremia.

Iniciar o mais precocemente possível (aos 2 meses), respeitando a idade cronológica: três doses aos 2, 4 e 6 meses e um reforço aos 15 meses. Prematuros e bebês de baixo peso apresentam maior incidência de doença pneumocócica invasiva, cujo risco aumenta quanto menor a idade gestacional e o peso ao nascimento.

Influenza (gripe)

Protege contra a gripe, doença caracterizada por febre alta, calafrios, dor de cabeça, mal-estar, tosse seca e dor muscular, e que pode gerar complicações como infecções respiratórias agudas.

A vacina contra gripe não protege contra resfriados comuns, que são causados por outros tipos de vírus e normalmente se caracterizam por sintomas mais leves, sem febre.

A aplicação é por injeção via intramuscular na parte superior do braço. É aconselhável administrar 1 dose por ano, geralmente no início de estações frias como o outono e o inverno.

Aplica-se respeitando a idade cronológica: duas doses, uma aos 6 e outra aos 7 meses. A indicação habitual da vacina contra a influenza em lactentes de 6 a 23 meses é reforçada nos prematuros, pois estes apresentam maior morbidade e mortalidade relacioandas à doença. Caso o bebê complete 6 meses após os meses de inverno, pode-se adiar a aplicação da vacina da Influenza para os meses do outono subsequente.

Poliomielite

Essa vacina protege contra a paralisia infantil, doença provocada por um vírus contagioso e caracterizada por paralisia súbita, geralmente nas pernas. A transmissão ocorre pelo contato direto com pessoas, fezes, água ou alimentos contaminados.

Em bebês internados em UTI Neonatal, utiliza-se somente a vacina inativada (ipV). Devido à probablidade de disseminação do vírus vacinal em população de imunodeprimidos (UTI neonatal, por exemplo), o uso da vacina oral está contraindicado enquanto o bebê permanecer hospitalizado.

É aplicada por via oral, em 3 doses, com intervalo de 60 dias. Todas as crianças aos 2, 4 e 6 meses de idade devem ser vacinadas. O reforço é feito aos 15 meses. No Brasil, além disso, todas as crianças menores de 5 anos de idade devem receber a vacina nos dias de Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite.

Rotavírus

Os principais sintomas do rotavírus são vômito, febre e diarréia líquida constante, que se não for tratada pode levar a desidratação e até a morte. Os recém-nascidos são os principais alvos do vírus.

Não deve-se utilizar esta vacina em ambiente hospitalar. Por se tratar de vacina de vírus vivos atenuados, a imunização contra o rotavírus só deve ser realizada após a alta, respeitando-se a idade limite para administração da primeira dose.

A vacina deve ser realizada em 2 doses em forma oral. A primeira vacina aos 2 meses e a segunda aos 4 meses. É possível administrar a primeira dose da vacina a partir de 1 mês e 15 dias a 3 meses e 7 dias de idade (6 a 14 semanas de vida) e a segunda dose a partir de 3 meses e 7 dias a 5 meses e 15 dias de idade (14 a 24 semanas de vida). Não é aconselhável vacinar crianças que apresentam quadro grave de imunodeficiência, como portadoras do vírus HIV. Também é contra-indicado o uso em prematuros submetidos à cirurgia abdominal.

A forma de contágio é fecal-oral. Nos locais onde as condições de higiene são inadequadas (áreas de manguezais e palafitas, por exemplo), o rotavírus contamina pessoas de qualquer idade: basta o contato com alimentos, objetos ou mesmo as mãos contaminadas.

Por tudo isso, lavar as mãos antes e depois de ir ao banheiro, antes das refeições e depois de trocas de fraldas é imprescindível para prevenção. Lavar bem os alimentos e ferver a água antes de tomá-la também ajuda na prevenção do rotavírus.

Tríplice bacteriana

A vacina tríplice (DTP) é constituída de antígenos protetores contra a difteria, a coqueluche e o tétano. A utilização de vacinas acelulares reduz o risco de apnéias e episódios convulsivos pós-aplicação da vacina tríplice bacteriana.

As reações vacinais podem ocorrer, sendo as principais o eritema local, exulceração, nódulo e abscesso. Sintomas gerais, como febre de intensidade variável, sonolência, irritabilidade, mal estar e vômito, podem ocorrer.

Aplicar a 1a dose aos 15 meses de idade e depois aos 4 anos.

Hemófilos tipo B

Esta vacina protege contra doenças como Meningite, Pneumonia e Osteomielite provocadas pelo hemófilos tipo B. É aplicada em 03 doses a partir dos 02 meses e um reforço entre os 15 a 18 meses. As reações adversas mais comuns são: rubor leve no local, febre, vômito, perda de apetite, agitação, diarréia e choro persistente.

Para prematuros extremos, a rede pública disponibiliza a DTP nos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIE) e, nesses casos, a conduta do Ministério da Saúde é adiar a aplicação da vacina de hemófilos do tipo b (Hib) para 15 dias após.

As vacinas combinadas de DTPa com Hib e outros antígenos são preferenciais, permitem a aplicação simultânea e se mostraram eficazes e seguras para os prematuros.

Palivizumabe: um capítulo à parte

Você sabia que a bronquiolite pode ser potencialmente fatal para os prematurinhos e bebês cardiopatas?

A bronquiolite é causada pelo vírus sincicial respiratório, conhecido como VSR. Ela pode ser muito grave para os prematuros, já que eles possuem o sistema respiratório mais fragilizado em função do nascimento antecipado.

Porém, esxite um medicamento chamado palivizumabe - que não é uma vacina e sim um medicamento imunobiológico - que é capaz de prevenir a infecção pelo VSR. E este medicamento é fornecido gratuitamente pelo SUS!

Devido à importância do tema, reservamos uma seção especial no site para falar do VSR e do bronquiolite e outra para falar sobre como obter o palivizumabe.