A ONG Prematuridade.com está dando um novo passo em sua atuação pela prevenção do parto prematuro: a organização está propondo à comunidade internacional a criação de uma meta global para a redução das taxas de prematuridade.
A iniciativa parte da constatação de uma lacuna importante na agenda mundial de saúde. Atualmente, existem metas e indicadores internacionais que orientam os países em questões como mortalidade materna, mortalidade neonatal e mortalidade de crianças menores de cinco anos. No entanto, apesar da enorme dimensão do problema da prematuridade, não existe uma meta global que estabeleça um objetivo a ser perseguido pelos países para a redução dos nascimentos prematuros.
A proposta da ONG Prematuridade.com é que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e seus parceiros internacionais considerem a construção desse objetivo global, por meio de um processo colaborativo, baseado nas melhores evidências científicas disponíveis e na experiência de países que apresentam taxas mais baixas de prematuridade, respeitando as diferentes realidades epidemiológicas, sociais e dos sistemas de saúde ao redor do mundo.
A organização reconhece que nem todo parto prematuro pode ser prevenido. Existem situações em que o nascimento antes de 37 semanas é inevitável ou até mesmo necessário para proteger a vida e a saúde da mãe ou do bebê. Por outro lado, uma parcela importante dos nascimentos prematuros pode ser evitada por meio de políticas públicas baseadas em evidências, assistência pré-natal de qualidade, identificação e manejo adequado dos fatores de risco, intervenções oportunas e medidas mais amplas de saúde pública.
Por isso, estabelecer uma meta internacional pode representar um importante avanço. Além de dar maior visibilidade à prevenção da prematuridade, um objetivo mensurável poderia servir de referência para governos, estimular investimentos, orientar políticas públicas e permitir o acompanhamento dos avanços alcançados por cada país ao longo dos anos.
A iniciativa tem origem no Brasil, mas sua dimensão é global. No país, aproximadamente 12% dos bebês nascem prematuramente, percentual superior à média mundial. Ao mesmo tempo, a prematuridade permanece entre os maiores desafios da saúde materna, neonatal e infantil em todo o mundo.
Com 12 anos de atuação no Brasil, a ONG Prematuridade.com é membro da Partnership for Maternal, Newborn & Child Health (PMNCH) da OMS e participou da construção do relatório internacional Born Too Soon: Decade of Action on Preterm Birth, uma das principais referências globais recentes sobre o tema.
Agora, a organização brasileira pretende levar a discussão um passo adiante.
A proposta está sendo apresentada à OMS e a parceiros estratégicos da agenda internacional de saúde materna, neonatal e infantil. Além de sugerir a construção de uma meta global, a ONG defende que a sociedade civil organizada e, especialmente, as famílias afetadas pela prematuridade tenham participação efetiva nas discussões e nas futuras estratégias de implementação.
“Quando o mundo estabelece uma meta, transforma um problema em uma prioridade mensurável. Se sabemos que uma parcela dos nascimentos prematuros pode ser evitada, precisamos discutir qual redução é possível alcançar e o que cada país pode fazer para chegar lá. A prematuridade precisa estar entre os grandes objetivos globais de saúde”, afirma Denise Suguitani, Diretora Executiva da ONG.
Para a organização, criar uma meta não significa estabelecer um mesmo número de maneira arbitrária para realidades completamente diferentes. Significa iniciar uma construção técnica e internacional capaz de definir objetivos possíveis, baseados em evidências, acompanhados de indicadores e estratégias concretas de prevenção.
Ao apresentar essa proposta, a ONG Prematuridade.com busca colocar uma nova pergunta na agenda internacional: se o mundo estabelece metas para reduzir mortes maternas, neonatais e infantis, por que não estabelecer também um objetivo global para reduzir uma das condições que mais ameaçam a sobrevivência e a saúde das crianças?
Seguiremos levando essa proposta ao diálogo internacional e acompanhando seus próximos desdobramentos. Por aqui, vamos compartilhar cada avanço dessa iniciativa que nasce no Brasil, mas pretende contribuir para uma mudança que pode alcançar bebês e famílias em todo o mundo.
Uma iniciativa brasileira, uma discussão que precisa ser global.


