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26.10.2026

ONG Prematuridade.com participa da Jornada da SBIm e destaca a importância da confiança das famílias na vacinação

Evento reuniu especialistas de todo o país no Rio de Janeiro para discutir avanços científicos, novas tecnologias, comunicação e desafios para ampliar as coberturas vacinais.

A Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros (ONG Prematuridade.com) participou da XXVIII Jornada Nacional de Imunizações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), parceira institucional da ONG, realizada entre os dias 21 e 24 de outubro de 2026, no Windsor Oceânico Hotel, no Rio de Janeiro.

Com o tema central “Imunização em movimento: inovação, ciência e comunicação”, o encontro reuniu cerca de 2 mil participantes e 200 palestrantes, em uma programação com quase 90 atividades científicas. Entre os assuntos abordados estiveram os avanços em vacinas e imunobiológicos, a vacinação ao longo da vida, a proteção de grupos especiais, os desafios para ampliar as coberturas vacinais e o papel da comunicação no enfrentamento da desinformação e da hesitação vacinal.

Representando a ONG, a diretora executiva Denise Suguitani participou de um painel dedicado à imunização e à saúde neonatal, coordenado pela Dra. Ana Carolina Anderson Nasser. A mesa contou também com a participação do Dr. Renato Kfouri, que abordou o impacto do Streptococcus do grupo B na saúde neonatal e as perspectivas de vacinação; da Dra. Claudia Valente, que discutiu os desafios para a implantação de uma estratégia nacional de vacinação BCG associada à triagem de SCID; e do Dr. Flavio Czernocha, que apresentou as particularidades do calendário de imunização do prematuro. Denise encerrou o painel com a apresentação “Da ciência à confiança: como as famílias de prematuros transformam informação em decisão?”, trazendo a perspectiva das famílias para uma discussão fundamental: o que realmente influencia pais, mães e cuidadores na decisão de imunizar seus filhos?

Em sua fala, Denise apresentou evidências científicas sobre confiança e hesitação vacinal, destacando que acreditar na importância das vacinas não significa necessariamente estar livre de dúvidas e receios. Um estudo brasileiro publicado na revista Vaccine, em 2025, com dados de aproximadamente 31 mil crianças, mostrou que 94,5% dos responsáveis confiavam nas vacinas oferecidas pelo governo, embora 20% associassem as vacinas a possíveis eventos adversos graves. Para a ONG, esses resultados reforçam que a dúvida não deve ser interpretada automaticamente como resistência, mas como uma oportunidade de diálogo.

A apresentação também destacou a influência dos profissionais de saúde nas decisões das famílias. A maneira como uma recomendação é transmitida pode fazer diferença: orientações claras e seguras, linguagem acessível, escuta acolhedora e confirmação de que os pais compreenderam as informações são estratégias importantes para fortalecer a confiança. No caso das famílias de bebês prematuros, que muitas vezes vivenciaram internações prolongadas e experiências emocionalmente difíceis, esse cuidado na comunicação é ainda mais necessário.

Denise compartilhou ainda resultados preliminares do projeto Tutores da Imunização do Prematuro, desenvolvido pela ONG em 6 estados brasileiros, envolvendo 64 participantes em rodas de conversa com famílias de bebês prematuros. A iniciativa avaliou conhecimentos antes e depois das atividades educativas e identificou avanços importantes, especialmente na compreensão sobre a vacinação pela idade cronológica e sobre o vírus sincicial respiratório (VSR). Após as rodas de conversa, 96,1% dos respondentes relataram sentir-se mais seguros em relação à imunização de seus bebês.

Outro ponto abordado foi a necessidade de transformar recomendações científicas em acesso efetivo à proteção. A ONG defendeu a ampliação do acesso à vacina hexavalente acelular para todos os prematuros, a busca ativa de bebês elegíveis à imunização contra o VSR, o fortalecimento da educação permanente dos profissionais de saúde e a melhoria dos sistemas de informação para acompanhar a cobertura vacinal específica dessa população.

A participação social também ganhou destaque. Para a ONG, as famílias não devem ser chamadas apenas para compartilhar histórias e sensibilizar profissionais. Sua experiência precisa contribuir desde o início para a formulação de perguntas de pesquisa, a construção de protocolos, a definição de prioridades e o desenvolvimento de políticas públicas.

“Para que as famílias transformem informação em decisão pela imunização, não basta oferecer informações cientificamente corretas. É preciso comunicar com clareza, recomendar com segurança, escutar e acolher as dúvidas, confirmar a compreensão e garantir o acesso”, destacou Denise, retomando a mensagem central de sua apresentação.

A ONG Prematuridade.com agradece especialmente à Dra. Isabella Ballalai, ao Dr. Renato Kfouri e à Dra. Mônica Levi pelo convite e pela oportunidade de contribuir com a perspectiva das famílias em um evento de tamanha relevância científica.

A XXVIII Jornada Nacional de Imunizações deixa como legado a importância de reunir ciência, profissionais de saúde, gestores, instituições e sociedade civil em torno de um objetivo comum: fortalecer a confiança nas vacinas, ampliar as coberturas vacinais, especialmente na infância, e garantir que os avanços científicos se traduzam em proteção para toda a população.

Saiba mais sobre a Jornada: https://jornadasbim.com.br/

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