

12 de Dezembro de 2025
Onde o medo e a fé se encontram
A Ísis foi tão sonhada, tão esperada por toda a nossa família, meu sonho de ser mãe de uma princesa realizado. Chá de fraldas marcado, fotos de gestante também, tudo planejado para a sua chegada em casa, e de uma semana para outra tudo mudou. Tive pressão alta desde o início da gestação; até então, estava conseguindo controlar, porém, com exatas 26 semanas, tive que baixar no hospital e aí veio a notícia de que a Ísis precisaria vir ao mundo.
Uma semana antes, havia feito uma ecografia completa para ver se ela estava bem, e o médico havia me deixado ciente de que eu tinha alto risco de pré-eclâmpsia por conta da minha pressão arterial muito alta. E, realmente, dias depois tive que baixar; consegui segurar a gestação por mais 3 dias, e depois disso os meus exames vieram muito alterados. Estávamos todos em correntes de oração para que meu parto corresse bem e para que a pequena Ísis viesse bem e forte, e ela chegou com 710 g e 30 cm, com suas 26 semanas e 3 dias apenas.
Linda, perfeitinha, tão pequena e grandiosa ao mesmo tempo. Ísis foi entubada logo após o parto, subiu direto para a UTI neonatal do hospital sem eu a ver ou a conhecer, tudo muito rápido. O medo tomou conta, então. Conheci a Ísis só no outro dia, e quando a vi, orei muito. O medo ainda estava ali, no fundo do coração, mas a fé sempre prevaleceu e falou mais alto. Sempre agradeci a Deus por mais um dia que vencemos. Em todos os momentos, eu sentia que Ele estava junto ali conosco, nos dando sustentação, força e coragem para seguir um dia após o outro.
Os primeiros dias dentro da UTI são tensos. Os sons dos aparelhos e os bipes ecoaram durante muitos dias na minha cabeça; eu saía de lá e meu coração ficava. Depois, ir para o hospital ficar com a Ísis virou rotina. Sempre tentei fazer os dias lá dentro serem o mais leves possível, sempre vendo o copo meio cheio e nunca meio vazio, extraindo sempre o melhor de cada momento, de cada dia.
Ela teve que passar por uma cirurgia para fechar o canal do coração com apenas 1 mês e alguns dias de vida, e, graças a Deus, tudo ficou bem. Uma curta caminhada de 4 meses dentro do hospital. Digo curta, pois não vi o tempo passar. Fiz amizade com as técnicas, com as enfermeiras, médicas e todos os profissionais que passaram pela vida da Ísis. Conheci o hospital de ponta a ponta enquanto estava com ela internada, pois passava o dia com ela. Descobri que, quando os pais ficam próximos do bebê, a recuperação é mais "rápida" e a gente acaba passando mais força para o filho que está ali, lutando pela vida dia após dia.
Hoje, depois de 123 dias, estamos em casa com o nosso milagre de Deus e o presente mais lindo que Deus poderia ter nos dado. A todos os profissionais da UTI neonatal do Hospital HSC, um carinho e um abraço apertado, com muito amor e gratidão. Não tenhas medo, no final, tudo fica bem.
(Texto pela mãe da pequena Ísis)


