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29.07.2021

Meu Milagrinho

“Durante a gestação senti muitas dores de cabeça e vômitos, mas todos os exames eram excelentes, ao final de um dia super cansativo de trabalho, com apenas 25 semanas vi que estava saindo muito líquido como se fosse urina, em seguida vi que minha barriga estava bem “murchinha” e entrei em desespero.

Fomos correndo para o hospital, e depois de muita espera fui atendida, eu não tinha dilatação, nem sangramento, mas estava com bolsa rota. Eu nem sabia que um bebê com menos de 7 meses de gestação poderia sobreviver e também não fui informada disso durante o atendimento.

Fiquei 11 dias internada em repouso absoluto, usando fraldas descartáveis, tomando remédios para amadurecer o pulmão do bebê e muito soro. Fazendo ultrassom com doppler para ver se o bebê estava bem, no dia 01 de abril de 2016 rompeu o tampão e iniciou-se as contrações.

Passamos o dia tentando evitar o parto, para que ela pudesse ficar o máximo de tempo na minha barriga. Na madrugada de 02 de abril o obstetra me examinou e eu estava com 4 cm de dilatação, a bebê estava sentada e na mesma hora me encaminhou para sala de cirurgia.

Maria Emília nasceu pesando 890 gramas, medindo 35 cm. Não me mostraram ela, nem eu tive coragem de perguntar. Quando saí da sala de cirurgia vi a cara de felicidade do pai me mostrando a foto de um pinguinho de gente, tão pequeno como eu nunca tinha visto.

Consegui ver ela somente no dia seguinte porque estava sentindo muita dor de cabeça, quando a vi pela primeira vez eu tive certeza que ela iria sobreviver. Os médicos me explicaram que tinha sido um parto muito prematuro, mas que ela estava reagindo bem. Foram muitas orações, muitas mesmo. Minha primeira dificuldade foi ir pra casa deixando ela lá, foi como se tivessem tirando um pedaço de mim, estava vazia, triste.

Mesmo com muita dor, eu só queria viver no hospital, conversava, cantava, orava pra ela. Meu mundo estava dentro daquela incubadora, tudo estava indo bem, até que recebemos uma ligação do hospital pedindo para comparecer lá. O médico nos explicou que ela teve três paradas e uma hemorragia pulmonar, que os exames do pulmão tinham sido péssimos e que nós nos preparamos para o pior, falou sobre a porcentagem de mortes de bebês prematuros.

Estávamos desesperados e buscamos consolo e ajuda nos braços de Deus, orando e entregando a saúde da nossa filha a ele. Lembro que eu chorava dizendo: Deus, se sua vontade for levar minha filha, eu não quero que sua vontade prevaleça, eu quero minha filha viva e com saúde e só o Senhor pode me dar.

E nos próximos dias os exames só melhoraram, Deus estava cuidando do pulmão dela. A madrinha dela era enfermeira da UTI (Ellaíne Torres - in memoriam), e a mamãe só dormia em paz quando ela estava de plantão. Foram muitos dias olhando as mamães fazendo canguru e desejando ser eu, chegando sempre correndo para saber o peso, alguns dias eram de vitória pelo aumento, outros com o coração apertado por não ter aumentado nada.

Nos familiarizamos com cada aparelho (tubo, cpap, rood) e tivemos inúmeros mini infartos com aquele barulho pavoroso da saturação baixa. Pude ter ela nos braços a primeira vez como presente de aniversário, chegou o esperado dia de fazer o canguru e eu fiquei mais dependente do que ela. O canguru era dividido com o papai que estava presente em todos os momentos, cada contato nosso foi de forma gradativa e emocionante.

Vimos tantos amigos (amigos de uti) sofrendo a dor de perder seu bebê, e nosso medo só aumentava, então, veio a alta para UCIN, e nós tivemos cada vez mais contato com ela e finalmente consegui amamentar. Lá também não foi fácil, tivemos que parar de amamentar, sem saber se era APLV ou somente a prematuridade que não deixava ela digerir o leite materno. As dificuldades foram sendo amenizadas quando a entrada do papai se tornou livre para que ele pudesse fazer o canguru com ela, assim, eu conseguia descansar.

Chegou a tão esperada alta, foi surreal, chorei do hospital até em casa. Nos primeiros dias eu não dormia com medo dela não estar respirando, e aos poucos fui ganhando segurança, também com a ajuda do pediatra dela que esteve a disposição sempre que precisávamos, mesmo sem estar em consulta. Hoje ela tem 3 anos e não ficou com nenhuma sequela. Nós vencemos a prematuridade!”

(Relato da mamãe Alliny, enviado em 2019)

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