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Setembro Verde: precisamos falar sobre a doação de órgãos

27/09/2019 27 de setembro é o Dia Nacional de Doação de Órgãos.

A doação de órgãos é um ato nobre que pode salvar vidas. Muitas vezes, o transplante de órgãos pode ser a única esperança de vida ou a oportunidade de um recomeço para pessoas que precisam de doação. É preciso que a população se conscientize da importância do ato de doar um órgão.

Ainda que o Brasil seja considerado referência mundial na área de transplantes e possua o maior sistema público de transplantes do mundo, ainda temos um longo caminho a percorrer para tornar o transplante de órgãos mais acessível em nosso país.

Atualmente, cerca de 96% dos procedimentos de todo o País são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em números absolutos, o Brasil é o 2º maior transplantador do mundo, atrás apenas dos EUA. Os pacientes recebem assistência integral e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante, pela rede pública de saúde.

Ainda assim, não temos muito que comemorar. Embora tenha havido um pequeno aumento de 0,8% na taxa de potenciais doadores, tendo atingido 52,3 pmp, houve queda de 2,1% na taxa de efetivação, caindo de 32,8% para 32,1%, o que resultou na diminuição em 1,2% (16,8 pmp) na taxa de doadores efetivos.

Portanto, estamos com queda na taxa de doadores, agravada pelo menor aproveitamento dos órgãos doados. As causas devem ser analisadas em cada estado e soluções devem ser obtidas, para a reversão desse quadro.

Se a situação não é fácil para quem está na fila do transplante, para as crianças pequenas a espera é ainda mais difícil. De acordo com os dados da Coordenação Geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, entre janeiro de 2016 e junho de 2019, não foi realizado nenhum transplante de pulmão no primeiro ano de vida e apenas dois transplantes foram realizados até o sexto ano de vida, enquanto apenas 6 crianças receberam transplante de coração no primeiro ano de vida e 31 entre o primeiro e o sexto ano de vida.

Esse número aumenta um pouco quando se trata de transplantes pediátricos de rim. No mesmo período apenas um foi realizado no primeiro ano de vida e 170 até o sexto ano de vida. Já os transplantes de fígado são os mais realizados em crianças. No mesmo período, foram realizados 73 procedimentos no primeiro ano de vida e 410 até o sexto ano de vida. Esses números esclarecem um pouco a dificuldade que as crianças passam na hora de receber um transplante de órgão.

Um caso que gerou bastante comoção e deu início a uma campanha de conscientização sobre a importância da doação de órgãos foi o do Luizinho, que nasceu prematuro, com 27 semanas, 1,4 kg e 36 cm. Após um grave acidente de trânsito durante a sua gestação, no qual o pai Luiz Valdir Andres Filho, a mãe Alini Wilges Boeno e as duas irmãs foram feridos. Alini teve fratura de bacia, costela, quebrou os pés e a bolsa acabou rompendo. No hospital, o médico que a examinou inicialmente falou que seria necessário fazer o parto.

Ele nasceu em condições bem complicadas e teve uma parada cardíaca logo após o parto. Também foi detectado imediatamente que ele tinha função renal zero. A família optou então por transferi-lo, mesmo sem a certeza de que ele chegaria vivo para um hospital onde houvesse uma unidade renal.

Luizinho ficou 3 meses na UTI neonatal do Hospital Moinhos de Vento antes de ser transferido para a UTI pediátrica. Passou por várias peritonites, teve retinopatia grau 2, hemorragia cerebral, apresentou complicações depois de dialise peritoneal e passou à fazer hemodiálise.

Quando completou 6 meses naquele hospital, a família conseguiu realizar sua transferência em busca de um transplante para o Hospital Samaritano de São Paulo (SP). Em Porto Alegre (RS), eles já não conseguiam mais encontrar veias que pudessem colocar em catéter. Ele tinha várias tromboses de veias para continuar a hemodiálise e, caso ficasse um dia sem a hemodiálise, poderia ir a óbito.

Em São Paulo, a família conheceu realmente o mundo de transplante e diálise peritoneal e hemodiálise. Em Porto Alegre, só existiam duas crianças que faziam hemodiálise. Quando chegaram a São Paulo, havia uma equipe gigante de hemodiálise pediátrica, com mais de 60 crianças que dialisavam em 3 turnos, vindas de todos os lugares do país.

Do período do nascimento dele até a primeira alta foram 10 meses. Então, a família montou um homecare em casa, pois o pequeno exigia muitos cuidados. Luizinho teve ainda hiperparatiodismo, doença que afetou o seu crescimento, e é comum em crianças com doença renal que fazem hemodiálise todos os dias. Ela não deixa os ossos absorverem o cálcio, então acabam apresentando fraturas.

A partir do momento em que ele chegou a SP, a mãe começou a compartilhar a história dele nas redes sociais para que as pessoas soubessem quantas crianças estavam na fila. Para conseguir o transplante renal, Luizinho precisaria atingir os 9 kg. Então, foi feito um estudo pelas médicas e ele recebia essa alimentação parenteral com um índice calórico alto, para que ele chegasse ao peso necessário.

A família estava muito esperançosa. Mãe e filho tinham a mesma tipagem sanguínea e a médica conversou com a família de que a mãe talvez pudesse ser a doadora dele. Mas, no dia 4 de dezembro, quando ele completou 4 anos de idade, começou a apresentar novas complicações.

A família o levou ao hospital pela manhã. Assim que chegaram ao hospital, ele convulsionou e foi para a UTI. A partir daí, o estado dele foi piorando. Começou a ter pressão muito baixa durante a hemodiálise, apresentou um índice de infecção altíssimo, uma pancreatite e uma infecção generalizada, sendo sedado e entubado. Pouco depois, teve morte cerebral e no domingo às 6:12 da manhã, o coraçãozinho dele parou.

Após o falecimento do filho, os pais o levaram para sua cidade natal, que ele não teve a chance de conhecer: Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. Lá, ele recebeu uma linda homenagem do hospital da UNIMED (Hospital da Unimed Missões) da cidade, que reformou o berçário e o batizou de Luiz Valdir Andres Neto, Luizinho.

Luizinho deixou um grande legado para os pais e para quem acompanhou sua história. Ele passou por 25 cirurgias e saia do bloco cirúrgico sempre sorrindo. Foi um exemplo de fé, amor, persistência e resiliência. No Instagram, a família mantém um perfil em sua homenagem @somostodosluizinho.

Atualmente, os pais trabalham em duas rádios, uma AM e uma FM, divulgando amplamente a questão da doação de órgãos.
Apresar de todo o esforço de conscientização, a negativa da família é o principal motivo para a não doação de órgãos.

Precisamos mudar esse quadro.

Seja um doador de órgãos, INFORME sua família, pois a vida PODE CONTINUAR!



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