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Saiba tudo sobre o Vírus Sincicial Respiratório (VSR)

22/07/2019 Beatriz Levy

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR), é um RNA vírus, não segmentado, envelopado, da família Paramyxoviridae. Causa infecção aguda do trato respiratório em indivíduos de todas as idades.

A maioria das crianças é infectada no primeiro ano de vida e, virtualmente, todas as crianças serão expostas a ele até o segundo ano de idade.

Re-infecções ocorrem durante toda a vida, entretanto o acometimento de vias aéreas inferiores predomina na primoinfecção.

A sazonalidade e as infecções pelo VSR ocorrem, em sua grande maioria, em estações anuais que duram cerca de 16 a 20 semanas. Estas estações são mais bem definidas em regiões de clima temperado e subtropical, geralmente no outono e inverno, sendo sua circulação de distribuição mais homogênea nas regiões equatoriais.

No Brasil há relatos referentes à sazonalidade das infecções pelo VSR em vários estados, evidenciando diferenças no padrão de circulação do vírus nas principais regiões do país.

Dados oficiais do sistema de vigilância epidemiológica para influenza (Sivep-Gripe), com coleta de informação de 58 unidades sentinela em todo o território nacional, demonstram picos de circulação do VSR entre os meses de Janeiro a Junho nos últimos cinco anos.

Publicações recentes abordando a prevalência e circulação de VSR em crianças com doenças respiratórias agudas nos diferentes estados, apontam uma maior circulação do vírus nos meses de Abril a Maio nas regiões sudeste, nordeste e centro-oeste. No sul, o pico de VSR ocorre mais tardiamente, entre Junho e Julho, concomitante com a estação do vírus influenza. Dados da região norte não estão disponíveis.

Os grupos de risco são:

  • Prematuridade: Sistema imune imaturo, reduzida transferência de anticorpos maternos e reduzido calibre das vias aéreas são as condições associadas ao elevado risco. O risco de hospitalização decresce com o aumento da idade gestacional.
  • Cardiopatia Congênita: A presença de malformações cardíacas está relacionada a uma maior gravidade e taxas de hospitalização maiores em infecções causadas pelo VSR. A hiperreatividade vascular pulmonar e a hipertensão pulmonar são responsáveis pela gravidade do quadro. A taxa de admissão hospitalar nesses quadros é três vezes maior que a da população sem doença de base, com internação em terapia intensiva duas a cinco vezes mais frequente, requerem três vezes mais ventilação mecânica e tem hospitalização mais prolongada, com mortalidade de 3,4% comparada a uma taxa de 0,5% na população previamente sadia.
  • Doença Pulmonar Crônica da Prematuridade: injúria pulmonar se estabelece num pulmão imaturo e que leva à necessidade de suplementação de oxigênio e outras terapias medicamentosas. Muitos estudos demonstram uma maior susceptibilidade desses bebês em desenvolver infecções graves pelo VSR e maiores riscos de hospitalizações.

Tabela 1:

Critérios clínicos para evolução de gravidade da BVA:

  • Vômitos, Letargia, Apnéia, Taquipnéia, Tiragem, Gemência, Batimento de asa de nariz e Cianose

Fatores de risco para evolução grave da BVA

  • Idade menor que 12 semanas, Tempo de evolução menor que 72 horas, Tabagismo materno , Mais de 2 irmãos e freqüentar creche ,Pobreza, Síndrome de Down, Enfermidades neuro-musculares, Baixo peso ao nascer, Mãe jovem.

PROFILAXIA COM PALIVIZUMABE

A prevenção de afecções respiratórias virais e/ou bacterianas está indicada para o pré-termo de muito baixo peso de nascimento (peso de nascimento menor de 1500 gramas), cuja incompleta alveolarização pulmonar e vias aéreas de menor calibre, tornam esta população especialmente susceptível a problemas pulmonares no seguimento. Há outras populações também de risco como pacientes cuja lesão pulmonar foi induzida pela ventilação mecânica ou estresse oxidativo ou ainda imaturidade e pobre formação alveolar-VELHA E NOVA Displasia Broncopulmonar, pacientes com cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica, onde os critérios de elegibilidade para profilaxia de infecção pelo VSR estão bem evidenciados.

A taxa anual de hospitalização secundária à infecção pelo VSR entre lactentes jovens de alto risco que não recebem profilaxia é 10 a 15%, ou seja, é cinco vezes maior que em lactentes que não são de alto risco.

Palivuzumabe é um anticorpo monoclonal humanizado direcionado contra a glicoproteína de fusão (proteína F) de superfície do VSR. Age através da neutralização e inibição da fusão do VSR, fornecendo imunidade passiva. Erroneamente encontramos a denominação desta imunoprofilaxia como “vacina do prematuro”. Este anticorpo monoclonal atua de forma passiva, não se carecterizando como tal.

O Palivuzumabe foi inicialmente licenciado nos Estados Unidos em 1998 e na Europa em 1999 com extensão de seu licenciamento em 2003. Nos Estados Unidos a profilaxia nos grupos de alto risco reduziu as taxas de hospitalização em até 78% nos últimos anos.

No entanto, o uso de profilaxia com palivizumabe em grupos não selecionados resulta em aumento significativo nos custos, pouca redução de gastos com menor taxa de hospitalização e nenhuma redução nas taxas de mortalidade. Desta forma, a Sociedade Brasileira de Pediatria, representada pelos Departamentos Científicos: Neonatologia, Infectologia e Pneumologia, organizou um protocolo para profilaxia, baseado na realidade do país, utilizando níveis de evidência disponíveis na literatura.

Importante salientarmos que o uso da Palivizumabe auxiliou na diminuição da gravidade da doença, menos hospitalizações e menor dias de uso de unidades de terapia intensiva pediátrica.

Além da imunoprofilaxia com palivizumabe é oportuno reforçar a importância de medidas gerais e específicas para controle da transmissão hospitalar do VSR em vigência de surto hospitalar.

  • Crianças hospitalizadas durante a estação sazonal do VSR que preencham critérios para profilaxia. (Devem receber a 1ª dose 48 a 72 horas antes da alta).
  • Crianças que tenham iniciado esquema com palivizumabe e que estejam hospitalizadas devido a qualquer causa, não necessariamente infecção viral, devem seguir com as doses de palivizumabe conforme previamente agendado, durante a internação. (A Academia Americana de Pediatria publicou em 2009, recomendações para o uso de palivizumabe na prevenção de infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que estão resumidas no quadro abaixo).

 

CONSIDERAR USO:

– Lactentes nascidos com 32 até 34,6 semanas de idade gestacional, apresentando um ou mais fatores de risco, nascido três meses antes ou durante o período sazonal de VSR fazer no máximo três doses.
– Lactentes com doença neuromuscular ou anomalia congênita de vias aéreas, usar no máximo cinco doses durante o primeiro ano de vida.
– Lactentes gravemente imunodeprimidos fazer uso de cinco doses iniciando no primeiro mês do período sazonal.

Atualmente não há evidência que suporte indicação de profilaxia com Palivizumabe para as seguintes situações:

  • Fibrose cística
  • Transplante de órgãos sólidos
  • Síndrome de Down
  • Doenças neuromusculares ou anomalias congênitas da via aérea.

MEDIDAS DE CONTROLE DA TRANSMISSÃO

A transmissão do vírus ocorre pelo contato direto ou próximo com secreções infectadas, é transmitido pela exposição à partículas grandes (gotículas) a uma distância pequena (< 1 metro).

O período de incubação é de 2 a 8 dias, com uma média em torno de 5 dias. A excreção viral ocorre de 3 a 8 dias, mas é detectada até 2 semanas em até 10% dos pacientes. Em pacientes com imunossupressão, neonatos e em lactentes a excreção pode durar até 3-4 semanas.

O VSR costuma sobreviver na pele por 30 minutos, por 1 hora em superfícies porosas, por 7 horas em superfícies não porosas1, em luvas de látex o vírus sobrevive por 2h, e em aventais de pano por 15-60 min.

O VSR é limitado ao trato respiratório, e apenas as secreções respiratórias contem vírus infectante.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO

A principal medida para evitar a transmissão do VSR na comunidade é o incentivo para higienização das mãos.

Quando as mãos não estão sujas a utilização de antisséptico a base de álcool (ex: álcool-gel) é preferencialmente recomendada, quando as mãos estão visivelmente sujas recomenda-se o uso de água e sabão.

 

Fontes:

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Boletim_SBP_VSR_LSRK.pdf

https://www.amib.org.br/noticia/nid/9-passos-para-higiene-das-maos/

http://www.conitec.gov.br

https://saude.rs.gov.br

www.spsp.org.br

https://portal.fiocruz.br/noticia/bronquiolite-conheca-os-sinais-e-saiba-como-tratar

  1. Diretrizes para Manejo da Infecção causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Sociedade Brasileira de Pediatria, 2011.
  2. Pilger DA, Cantarelli VV, Amantea SL, et al. Detection of Human Bocavirus and Human Metapneumovirus by real-time PCR from patients with respiratory symptoms in Southern Brazil. Mem Inst Oswaldo Cruz. 2011; 106(1): 56-60.
  3. Carbonell-Estrany X, Quero J. Hospitalization rates for respiratory syncytial virus infection in premature infants born during two consecutive seasons. Pediatr Infect Dis J. 2001;20(9):874-879.
  4. Liese JG, Grill E, Fischer B, et al. Incidence and risk factors of respiratory syncytial virus-related hospitalizations in premature infants in Germany. Eur J Pediatr. 2003;162:230-236.

Baixe o Boletim da SBP sobre VSR AQUI.

Por Beatriz Levy
Fisioterapeuta do Grupo Hospitalar Conceição / Hospital da Craiança Conceição/ UTI NEONATAL e Integrante da equipe do Babybrain Institute. www.babybraininstitute.com.br
Crefito 5: 68744f
email para contato: [email protected]



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