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O aprendizado alimentar do bebê prematuro: auxílio além da alta hospitalar

10/06/2019 PatriciaFono01

Um dos grandes desafios que o bebê prematuro encontra é sem dúvida o aprendizado alimentar. Seja por ainda não possuir um neurodesenvolvimento que permita o desenvolvimento da sucção ou mesmo por condições clínicas tão adversas que definitivamente o uso de outra via de alimentação (sondas naso ou orogástricas ou ainda alimentação parenteral) seja absolutamente necessário para sua sobrevivência.

Muitas das preocupações da equipe médica e consequentemente dos pais está relacionada ao ganho de peso e ao desenvolvimento global do bebê. A nutrição eficiente, nesse sentido, torna-se um ponto imprescindível e muitas vezes condicionada a alta hospitalar dos bebês.

Quando o bebê já apresenta condições clínicas para aprender a sugar, um novo cenário se faz. Coordenar a respiração - sucção - deglutição requer maturidade neurológica, treino e o suporte de profissionais habilitados e preparados para favorecer esse aprendizado.

O Fonoaudiólogo e o profissional capacitado para isso e deve junto com a equipe médica e com a família do paciente realizar os procedimentos necessários para facilitar sua alimentação.

Gerenciar a ansiedade dos pais bem como a pressão da equipe médica para que o bebê consiga aumentar seu volume de ingestão via oral, também deve fazer parte da atuação dos fonoaudiólogos que atuam com os bebês prematuros, pois cada bebê tem seu ritmo e tempo de aprendizado, devendo ser respeitado para que nenhuma etapa seja antecipada ou desrespeitada.

Infelizmente, nem todos os bebês poderiam ter alta recebendo alimentação via oral. Dependendo das condições clínicas alguns bebês poderão ter alta com o uso de outra via de alimentação.

O seguimento desses bebês no que tange o aprendizado alimentar precisa continuar sendo acompanhado por Fonoaudiólogo capacitado. 

As frequentes comorbidades associadas à prematuridade (atraso global do desenvolvimento, DRGE, atraso motor, déficit sensorial, problemas respiratórios ou cardiopatias) podem dificultar enormemente o aprendizado alimentar. 

Muitas vezes, o momento da Introdução Alimentar pode ser antecipado para que o bebê ganhe peso ou mesmo quando apresenta muita dificuldade na aceitação da fórmula láctea e consequentemente baixo ganho de peso. 

Nem sempre esses bebês possuem as condições necessárias para o início da Introdução Alimentar. Quando isso acontece geralmente cria-se um novo problema e um novo cenário. De um lado, pais ansiosos para que o filho coma e aceite os alimentos para continuar seu desenvolvimento e de outros bebês que por não terem ainda os pré-requisitos para conseguir comer com conforto e segurança, não demonstram interesse, recusam ou aceitam uma quantidade insuficiente de alimentos.

Uma batalha diária é iniciada para que o bebê aceite os alimentos. Uso de distrativos no momento da refeição, forçar o bebê comer, etc podem ser utilizados na tentativa de aumento da aceitação dos alimentos. Como consequência, temos bebês passivos que gradativamente vão desenvolvendo uma relação de desprazer com os alimentos e com o momento da refeição por não possuírem as condições básicas necessárias para esse desenvolvimento.

Por isso, para que o bebê prematuro possa continuar um bom desenvolvimento alimentar mesmo depois da alta hospitalar, seria importante um acompanhamento por um fonoaudiólogo com experiência em alimentação. Desse modo, os pais poderiam ser orientados e incentivados a auxiliar seus bebês no caminho do desenvolvimento dos pré-requisitos necessários para o aprendizado alimentar, favorecendo uma relação positiva com os alimentos e consequentemente com o momento da refeição.

Escrito pela Fonoaudióloga Patrícia Junqueira, do Instituto de Desenvolvimento Infantil.



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