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Nasce bebê de grávida mantida viva após morte cerebral

01/04/2017 640x480-63cd3eee2068a11eddee1bcf1915a343

A dor da despedida e a alegria por uma espécie de milagre. Nasceu por volta das 11h desta sexta-feira (31) o bebê de Renata Souza Sodré, 22 anos. Há dois meses, Yago resistia no ventre da mãe, que teve morte cerebral constatada no dia 30 de janeiro. O caso da jovem foi o terceiro já noticiado no Brasil.

Foi na noite da quinta-feira (30) que Renata deu os primeiros sinais de que precisava dar a luz ao filho. Conforme a Santa Casa, o parto estava previsto para a próxima terça-feira (4). No entanto, a paciente apresentou instabilidade no quadro de saúde e a equipe médica decidiu que levá-la para o Centro cirúrgico. A médica responsável pelo caso de Renata percebeu alterações nos exames da jovem e tentou estabilizá-la com as medicações que mantinham os seus órgãos funcionando. Entretanto, novos exames prosseguiram com as variações e por medo de que uma infecção pudesse atingir o bebê a profissional acionou a equipe do hospital.

A criança nasceu prematura de 27 semanas (seis meses), de parto cesárea, saudável, com 34 centímetros e 1,050 quilo. A princípio, apresentou problemas respiratórios, mas foi medicada e agora já respira sem a ajuda de aparelhos. O menino está na UTI Neonatal da Santa Casa, onde permanecerá para ganhar peso. Ele precisaria permanecer no ventre da mãe por mais cinco semanas, informou o hospital. O bebê foi submetido à dose de surfactante pulmonar, para “abrir o pulmão”, agora ele está com a respiração normalizada, assim como os batimentos cardíacos.

"A médica disse que ela (Renata) estava bem cansada, foi uma guerreira e precisava descansar. Ela lutou pelo filho e ele nasceu bem. Vai ser cuidado com amor e carinho", disse a irmã de Renata, Adrielli de Souza Avalos dos Santos, 20 anos, que deixou o hospital juntamente com a mãe e marido, todos bastante abalados.

O caso de Renata é inédito em Mato Grosso do Sul e foi marcado por troca de informações com médicos do Espírito Santo e Portugal, onde houve situação similar. Com a morte encefálica da paciente, o nascimento do bebê era uma aposta de alto risco.

“É muito difícil um caso como esse porque além do risco de morte, tem o risco de infecção. Tudo compromete a viabilidade do nascimento dessa criança”, afirmou a médica Patrícia Berg Leal, responsável pela UTI (Unidade de Terapia de Intensiva), em entrevista ao Campo Grande News no dia 2 deste mês.

Após sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral) em 27 de janeiro, Renata teve a morte cerebral constatada por dois exames clínicos mais exame de imagem. Os exames também apontaram que o feto vivia e entrava na 17ª semana.

O marido Eduardo Noronha, 25 anos, contou que Renata nem sabia o sexo da criança, pois, na última vez que ela pôde acompanhar o exame, não foi possível saber se viria menino ou menina. Porém, ela já havia escolhidos os nomes.

Com o caso explicado à família e acompanhado pela Comissão de Ética do hospital, começou a administração diária de medicamentos, pois, com a morte cerebral, o corpo para de produzir hormônios.

Contra o risco de infeção, o trabalho envolvia todos os setores da UTI, da limpeza ao corpo clínico. A médica contou que a paciente recebia a mesma atenção das demais pessoas internadas na terapia intensiva, que, por atender os casos graves, tem regras rígidas de funcionamento.

A gestação deveria ser mantida, pelo menos, até a 28ª semana (sete meses). Segundo a médica, não havia como prever sequelas. A gravidez era monitorada por exames e ultrassons todos os dias.

No começo da tarde, a família autorizou a suspensão dos medicamentos que a mantinham viva e os aparelhos de Renata já foram desligados. Os órgãos dela seriam doados, no entanto, por conta das complicações que o corpo dela apresentou recentemente, a doação foi impedida.

Fonte da notícia: Campo Grande News, Correio do Estado e Extra (notícia original publicada em 31/03/17)
(Foto: Amanda Bogo)



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