• Parceiros oficiais:
  • Efcni
  • March of Dimes
Arraste para navegar

Na luta pela licença-maternidade remunerada, 6 meses deveriam ser o mínimo

11/09/2019 As empresas devem responder com responsabilidade, fazer a coisa certa e criar melhores políticas de licença remunerada, caso desejem reter os principais talentos.

No mês passado, em nossa lista das melhores e piores empresas para licença remunerada, analisamos o boletim anual de benefícios das 70 principais corporações e como elas se saem quando se trata desse benefício tão importante. Ao mesmo tempo em que muitas empresas estão se esforçando ao máximo para implantar ou reparar anos de políticas injustas envolvendo licença remunerada, outras estão fazendo o mínimo necessário. À medida que o debate ganha força por toda a América, incito os líderes a desenvolverem e ampliarem essas políticas de licenças remuneradas para não só adotarem uma abordagem “qualquer coisa é melhor do que nada”, mas também para considerarem os amplos benefícios da implantação de um período mínimo de seis meses para a licença remunerada.

O corpo humano precisa de 40 semanas para trazer ao mundo um bebê a termo. E durante esse período, espera-se que as mulheres continuem trabalhando (algumas vezes em detrimento de seus próprios corpos e bebês), e sigam a vida como se a enormidade de sintomas da gravidez não fosse perturbadora e, às vezes, debilitante. Ao mesmo tempo em que dar a luz é normal e natural, é preciso tempo para que as novas mães se recuperem. Os desgastes emocionais, psicológicos e físicos de carregar e parir um bebê continuam muito além da sala de parto. Ainda assim, 25% das mulheres nos EUA precisam voltar ao trabalho depois de apenas duas semanas. Em um país rico em tradições e que se orgulha por colocar a família em um pedestal, como é possível não oferecer licença remunerada às mães quando elas estão tão vulneráveis e mais precisam de ajuda?

Os EUA são a única nação industrializada sem uma política de licença remunerada e que depende das empresas (e alguns estados) para preencher essa lacuna. O resultado: apenas 14% dos trabalhadores civis têm acesso a algum tipo de licença parental remunerada. Assim, as mães que trabalham são quem recolhem os pedaços dos pratos quebrados. Se tiverem condições físicas para se abaixarem, é claro. Em duas semanas, a maioria das mulheres sequer retornou ao médico para receber autorização para realizarem atividades físicas (especialmente as que passaram por uma cesárea), muito menos carregar seus próprios bebês ou dirigir um carro. O corpo da mulher precisa de semanas ou meses para cicatrizar e se recuperar fisicamente após a gestação e o parto. O período pós-parto pode ser repleto de desafios que incluem, mas não estão limitados a: depressão, problemas de lactação, incluindo mastite, fadiga e dor, entre outros agravos. Todos exigindo períodos de recuperação mais longos. De acordo com um relatório publicado pela New America Foundation, para a saúde ideal da mãe e do bebê, a licença maternidade remunerada deveria ser de no mínimo 6 meses.

Além do maior tempo para que as mães se recuperem, a licença familiar remunerada faz maravilhas para a saúde e o bem-estar do bebê. De fato, as taxas de mortalidade infantil diminuem com a ampliação das políticas de licença maternidade remunerada. As famílias que criam e fomentam um relacionamento mais forte de aleitamento materno com seus bebês nas semanas que seguem o nascimento, estão de acordo com o padrão mínimo da Organização Mundial de Saúde de 6 meses de alimentação exclusivamente de leite materno para promover o desenvolvimento sensorial e cognitivo e proteger os bebês de doenças infecciosas e crônicas. A alimentação exclusivamente a base de leite materno reduz a mortalidade infantil devido a doenças comuns na infância, como pneumonia, e ajuda a uma recuperação mais rápida em caso de doenças.

As famílias que experimentam do tempo necessário durante a licença remunerada não só fornecem uma nutrição favorável a seus bebês, mas também fortalecem o laço com eles, resultando em crianças mais saudáveis e em menos crianças doentes com a necessidade das mães se ausentarem do trabalho para cuidar delas no futuro.

Ao mesmo tempo em que cuidar da saúde e do bem-estar da mãe e do bebê é o que a maioria dos empregadores espera conseguir por meio da licença remunerada, um caso com grande potencial pode surgir no que diz respeito à paridade entre os gêneros. Uma pesquisa está tentando relacionar a paridade de gêneros no trabalho às barreiras maternas e a penalização da maternidade, bem como à subsequente diferença de salário entre os gêneros. Essencialmente, a carreira das mulheres sofre após a maternidade – elas sofrem financeiramente e não conseguem fazer os avanços necessários para alcançar posições de liderança no alto escalão.

Para a maioria das mulheres dos EUA, a ideia de maternidade estar em conflito direto com a carreira é uma crença amplamente difundida. Quer elas estejam cientes disso ou não, a maioria das pessoas tende a pensar que elas devem ser as principais cuidadoras. O que, infelizmente, significa que as mulheres sacrificam suas carreiras, a menos, é claro, que consigamos dar continuidade ao desenvolvimento da nossa dinâmica cultural e passarmos a considerar que os pais e as mães adotivas também são adequados para esse trabalho de cuidadores principais. Para algum dia conseguirmos ter igualdade no mercado de trabalho, os parceiros das mães precisam se engajar em casa e tirar a licença parental que lhes é oferecida. Isto é fundamental para o avanço da nossa força de trabalho de uma forma que garanta um futuro com igualdade entre os gêneros.

Finalmente, devemos buscar acabar com o preconceito que dissemina opiniões e atitudes sobre as mães que trabalham, não só durante, mas também após a licença remunerada. Se os parceiros também saírem de licença, isso não só normalizará a prática, mas também neutralizará o ambiente de trabalho. A equação é bastante simples: a licença igual para pais e mães reduzirá a estigmatização das mães que trabalham.

Os benefícios da licença familiar remunerada são muitos para serem listados. A soma de todos os benefícios empodera as famílias a escolherem funcionários que respeitem e apoiem suas vidas e objetivos pessoais. As empresas devem responder com responsabilidade, fazer a coisa certa e criar melhores políticas de licença remunerada, caso desejem reter os principais talentos. Quando as políticas de licença familiar remunerada não refletem os valores de seus funcionários, esses mesmos funcionários encontrarão opções mais amigáveis à família em outro lugar.

Por Mary Beth Ferrante
Colaboradora da ForbesWomen



Tem um bebê
prematuro?

Preencha nossos cadastro e ajude
a direcionar as ações da nossa ONG

Cadastre-se