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Lorenzo: uma história de fé e amor

27/01/2020 Lorenzo

"Lorenzo foi uma criança muito desejada. A maternidade sempre foi um sonho para mim e a notícia da gravidez tão planejada era aquele sonho se tornando realidade! Já com 15 semanas, o meu bebê se mostrava muito pequeno para a idade gestacional e a suspeita da Restrição de Crescimento Intrauterino se confirmou pouco tempo depois. Eu, com um histórico de hipertensão e com a situação que se apresentava, tentava me organizar mentalmente com minha gestação de risco: ou ter um bebê prematuro; ou não ter um bebê em meus braços. O médico me alertou que eu atentasse, pois a qualquer momento ele podia parar de se mexer. Para um casal acostumado a ter sua vida sob planejamento e controle, só restava uma coisa a fazer: confiar! Eu finalmente começava a entender o significado de uma frase muito conhecida “andar pela fé”. Andar pela fé era isso: não ter chão embaixo dos pés, mas não deixar de caminhar, crendo que Deus daria o suporte na hora certa.

Já internada, os dias que se seguiram eram de ansiedade tamanha. Cada momento que o bebê se mantinha vivo, era uma vitória a ser celebrada. Foi então que, numa manhã nublada de quarta-feira, o ultrassom revelou que Lorenzo havia perdido peso na barriga e o fluxo sanguíneo estava centralizado. Ele estava em sofrimento. Fui encaminhada imediatamente para uma cesárea de emergência e, com 27 semanas, pesando apenas 575 gramas, nasceu nosso amado filho Lorenzo, às 12h10 do dia 19 de agosto de 2015. Para nós, pais de primeira viagem, a situação que a prematuridade extrema nos apresentava naquele momento era uma enorme quebra de expectativa frente a tudo que sonhávamos viver com nosso bebê. Uma intensa angústia.

Lembro de quando vi o Lorenzo pela primeira vez, no dia seguinte do seu nascimento. Não era uma visão agradável. Era chocante. Mas eu havia tomado a decisão de lutar por ele, desde os primeiros diagnósticos difíceis, recebidos ainda quando estava na minha barriga. Lembro que quando cheguei ao lado da sua incubadora, da sua forma tão disforme, da sua cor tão cianótica, dos seus aparelhos com bipes incessantes, “vesti” o meu melhor sorriso para conversar com ele! Minhas primeiras palavras para o Lorenzo foram: “meu filho, tu és grandioso! Mamãe está orgulhosa de ti!”. Pessoas a minha volta, achavam que por estado de choque, eu não estava vendo a realidade. Tentavam me preparar para o “pior” que estava por vir. Mas eu estava muito lúcida. Muito consciente da força que eu tinha que passar para meu filho. E o “pior” não veio.

Lorenzo vencia seus momentos um a um com uma garra que só me motivava a continuar lutando com ele. Meu filho foi um prematurinho muito grave. A luta foi grande, principalmente para lidar com ganho de peso e com seus pulmões imaturos. Ao longo de seus 210 dias de internação, escreveu sua história na UTI Neo: 1 enterocolite, 3 pneumonias, 9 transfusões sanguíneas, 53 dias em ventilação mecânica, 42 dias de espera pelo primeiro colinho, entre muitas outras coisas. 210 dias: 7 meses vivendo intensamente a enxurrada de emoções que um filho na UTI proporciona. Dias estes, dos quais me orgulho de ter conseguido suprir o Lorenzo até os 4 meses com leite materno exclusivamente e não exclusivamente até os 6.

Nossa alta foi um misto de alegria, euforia, emoção e muita ansiedade (medo até) diante do que viria dali para frente. Dependente de O2 até 1 ano e 4 meses, alimentação por sonda até os dias de hoje. Algumas cirurgias, alguns sustos. Nossa vida gira em torno de muitas atividades com diversas terapias e tratamentos. É uma grande aventura! Enquanto passávamos pelos momentos mais difíceis da internação, busquei incessantemente histórias de superação que pudessem alimentar nossa esperança naqueles tempos. Por isso, espero que nossa história também encoraje famílias a não desistir jamais. A prematuridade será uma palavra que nos acompanhará para sempre. Eu escolheria meu filho Lorenzo mil vezes, assim, do jeitinho que ele é. Ele dá todo sentido a minha existência. Ele me ajuda a ver a vida com olhos de gratidão. Ele me faz viver a minha fé e não apenas professá-la. Ele me ensina o que é amar. Que o amor vence tudo e que o tempo é divino."

(relato da mamãe Gabriela Nishimura, enviado em 2018)



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