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Incubadora multissensorial: projeto "bate de frente" com versão tradicional

05/08/2019 Protótipo de incubadora multissensorial ganhou prêmio em simpósio de computação aplicada à saúde.

A preocupação com o bem-estar e uma rápida recuperação dos bebês prematuros vem tomando proporções muito significativas.

Dentro das UTIs neonatais, os equipamentos para atendimento dos pequeninos tem uma grande importância, não só a presença dos mesmos, mas também seu uso adequado e manutenção.

Entre estes equipamentos, as incubadoras tem o papel fundamental de proporcionar ao prematuro o conforto e segurança que ele precisa e tinha dentro do útero materno. Calor, umidade, diminuição de ruídos e luz, além de segurança através de dispositivos acoplados a ela.

Um recurso tão importante que vem sendo aprimorado a cada ano e, agora, a possibilidade de uma tecnologia com um custo menor através de pesquisas realizadas no Brasil. Acompanhe a matéria abaixo!

Um protótipo de uma incubadora multissensorial, que vai aprimorar o acompanhamento da saúde de bebês, foi criado por estudantes da PUC em Poços de Caldas (MG). O equipamento deverá custar menos da metade do valor dos modelos utilizados pelo SUS. O estudo foi feito pelos cursos de medicina e ciências da computação da instituição.

A previsão é de que a inovação, no futuro, use inteligência artificial, algo único no mundo, de acordo com os responsáveis pelo projeto - vencedor de uma premiação no 19° Simpósio Brasileiro de Computação Aplicada à Saúde na UFF (Universidade Federal Fluminense).

A ideia

Incubadoras foram desenvolvidas para proporcionar condições semelhantes às do útero materno, essenciais para bebês prematuros e para os que nasceram entre 37 e 42 semanas e estão doentes. As primeiras chegaram ao Brasil em 1903.

Hoje, principalmente no sistema público de saúde, o funcionamento delas está longe do ideal. E foi por isso que os estudantes iniciaram os trabalhos do protótipo, em 2018. "Nós encontramos artigos falando sobre crianças morrendo por intoxicação por produtos de limpeza e sobre sensores que não funcionam", disse Júlia Soares, participante do projeto.

O funcionamento

O equipamento multissensorial dos estudantes trabalha com cinco sensores, que verificam peso, presença de gases, frequência cardíaca, temperatura e ruídos.

Vamos começar pelo primeiro item: uma balança embutida, item que não existe em vários modelos existentes no mercado, foi desenvolvida. Ela gera o peso do bebê automaticamente. "Uma coisa simples, mas um grande avanço", opinou João Benedito dos Santos, professor que participou do projeto.

Outro sensor verifica a presença de gases no local onde está o recém-nascido. Esses gases penetram quando, por exemplo, o equipamento é aberto para limpeza, podendo causar lesões na pele e até intoxicações mais graves no bebê.

Já o detector para medir a frequência cardíaca também tem papel relevante, já que possibilita aos médicos o acompanhamento do estado de saúde da criança.

A incubadora multissensorial é capaz de monitorar a temperatura externa e a do corpo do recém-nascido.

Por último, um quinto sensor verifica os ruídos do motor da incubadora e os que vêm de fora, possibilitando prevenir problemas de audição nos bebês. Câmeras também foram instaladas para acompanhar o bebê à distância.

O próximo passo é o uso de inteligência artificial. "A nossa intenção é fazer a incubadora tomar decisões sozinha, de maneira autônoma, inteligente, aprendendo com cada bebê. Esse é um avanço em nível mundial bastante importante", afirmou o professor.

Por que é mais barato?

A previsão, de acordo com os pesquisadores, é de que a incubadora multissensorial custe em torno de R$ 12 mil, bem abaixo dos R$ 28,8 mil pagos pelo governo em Minas Gerais, onde o projeto foi desenvolvido.

Oferecer a parte de programação e atualização do software gratuitamente é uma das explicações para baratear o produto. "Gratuito para não gerar custos ao processo industrial e para viabilizar a produção em escala", explicou Benedito.

Ainda segundo o professor, com base nos resultados esperados, a expectativa é reduzir em torno de 30% o tempo de internação dos bebês na incubadora, já que eles seriam monitorados com dados mais precisos e detalhados.

Problemas atuais

Alguns problemas captados por profissionais da saúde e pelos próprios estudantes mostram que a falta de recursos para se ter uma incubadora "completa" pode prejudicar a saúde dos bebês.

Durante as pesquisas, os criadores do projeto souberam que um empresário teve que comprar uma incubadora para internar o filho de sua funcionária, já que o hospital onde estava o bebê não possuia o equipamento.

"Em lugares onde há poucas incubadoras, nós temos relatos dramáticos de médicos que precisam escolher o bebê que vai sobreviver, pois há mais pessoas do que máquinas", revelou Benedito.

Estudante de ciência da computação, Letícia Reche acredita que o sistema público "não tem tantos recursos" para incubadoras. "Não adianta eles terem o modelo mais tecnológico, e não suprir a mínima necessidade dos bebês", disse.

Enfermeira de origem, Aline Hennemann, vice-diretora da Associação Brasileira de Pais de Bebês Prematuros, trabalhou em UTIs neonatais e hoje visita hospitais em todas as regiões do Brasil. A associação registrou locais em que apenas 5% dos leitos tinham incubadora.

E o impasse não está apenas na "quantidade", segundo Aline, porque quando há equipamentos em número suficiente, problemas aparecem. Um deles está no controle térmico, uma falha grave para a saúde dos recém-nascidos causada por aparelhos velhos ou desregulados, sem revisão periódica.

"As incubadoras acabam sucateadas por falta de capacitação das equipes, que não conhecem como deve ser o uso adequado, fazendo com que ela se torne um agente estressor e produza mais ruídos para o bebê", afirmou Hennemann.

Fonte: UOL (notícia original publicada em 27/07/19).
(Imagens: Divulgação/PUC Poços de Caldas)



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