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Incidência de sífilis congênita no Brasil entre os anos de 2009 e 2018

15/07/2019  A sífilis congênita é uma forma da doença em que ocorre a disseminação hematogênica da bactéria através da gestante infectada, não tratada ou inadequadamente tratada, para o feto. (Foto: Sífilis Não)

A sífilis é uma doença, sexualmente transmissível, infecciosa, crônica e sistêmica, causada pela bactéria Gram negativa Treponema pallidum. A sífilis congênita é uma forma da doença em que ocorre a disseminação hematogênica da bactéria através da gestante infectada, não tratada ou inadequadamente tratada, para o feto.

Ao identificar a incidência de sífilis congênita no Brasil entre os anos de 2009 e 2018, utilizando dados disponíveis no DATASUS, identificou-se que nos últimos 10 anos (2009-2018), foram notificados 289.278 casos de sífilis em gestantes onde a região sudeste apresenta a maior incidência, com um total de 132.020 (45,63%) casos, seguido desta, a região nordeste com um total de 60.620 (20,95%) casos, já as demais regiões, Sul, Norte e Centro-oeste apresentam respectivamente 42.732 (14,77%), 29.883 (10,33%), 24.023 (8,30%).

No mesmo intervalo temporal, foram notificados 158.954 casos de sífilis congênita em todo o território brasileiro, em que identificou-se a região Sudeste com 68.265 (42,95%) ocorrências, seguido das regiões Nordeste, Sul, Norte e Centro-oeste com, respectivamente, 48.508 (30,51%), 20.046 (12,61%), 13.266 (8,34%) e 8.849 (5,56%). Cerca de 95% dos casos em recém-nascidos possuem o diagnóstico da sífilis até o sexto dia de vida. Foi possível identificar que mais de 90% dos casos são classificados como sífilis congênita recente, entretanto 3,46% dos casos acabam evoluindo para natimorto ou aborto devido a complicações da doença.

Identificou-se que a sífilis congênita está presente no Brasil e seu crescimento é notável ao longo dos últimos 10 anos. Por meio dos dados coletados observa-se um alto número de gestantes com sífilis e parceiros não tratados (60% não realizaram ou não deram continuidade ao tratamento), os quais são relacionados ao aumento de casos de sífilis congênita. Destaca-se que o diagnóstico ocorre durante a realização do pré-natal, que no referido estudo identificou que 78,65% (125.024) dos casos confirmados de sífilis materna realizaram o pré-natal.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) publicou em seu site dados mundiais relacionados à sífilis, dos quais cerca de 12 milhões por ano são registrados na Organização Mundial da Saúde (OMS) e sua maioria é de países como Brasil, em desenvolvimento. Além disso, a FEBRASGO destaca que a sífilis está associada a 90.000 mortes neonatais e 65.000 recém-nascidos prematuros ou de baixo peso. Da mesma maneira, estudo de Padovani, Oliveira e Pelloso (2018) identificou associação significativa entre a sífilis materna, sífilis congênita e consequente prematuridade e baixo peso ao nascer.

Tal situação é um problema de saúde pública e reflete a necessidade de investimentos na área, uma vez que o diagnóstico da sífilis materna é necessário para o controle da disseminação da doença de forma vertical. Portanto, a realização de um pré-natal qualificado, bem como os exames preconizados pelo Ministério da Saúde são fundamentais na identificação precoce da sífilis, para que tão logo o tratamento seja iniciado e o risco para a saúde do bebê seja reduzido ou eliminado.

Biomédica e Ac. de Enfermagem Helenita Abreu
Enfermeira Doutora Camila Neumaier Alves

Mais informações:
FEBRASGO https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/700-sifilis-na-gravidez
PADOVANI, Camila; OLIVEIRA, Rosana Rosseto de; PELLOSO, Sandra Marisa. Sífilis na gestação: associação das características maternas e perinatais em região do sul do Brasil. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 26, e3019, 2018.



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