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COVID-19: Informações para os pais de recém-nascidos que estiveram na UTI Neonatal

01/05/2020 Sempre que você estiver em dúvida sobre o que fazer com seu bebê, entre em contato com o seu pediatra ou com a Unidade Básica responsável pelo cuidado do seu bebê.

A doença causada pelo Coronavírus, COVID-19, ainda é pouco conhecida em toda sua extensão e está sendo bastante estudada. Algumas recomendações que constam aqui podem mudar, mas essas são as mais atualizadas até o momento. Essas perguntas e respostas fazem parte de um trabalho em parceria com o Dr. Nicholas Embleton, da Neonatal Intensive Care Unit – Ward 35 de Newcastle UK, e dos residentes de pediatria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). É um momento de muitas dúvidas e angústias, semelhantes em vários lugares do mundo e que também traz oportunidades para cooperação (inclusive internacional) e troca de conhecimentos. Sempre que você estiver em dúvida sobre o que fazer com seu bebê, entre em contato com o seu pediatra ou com a Unidade Básica responsável pelo cuidado do seu bebê. Se não conseguir contato com esses profissionais, entre em contato com a UTI Neonatal onde seu bebê esteve internado e peça ajuda. Embora deva-se minimizar saídas desnecessárias, não se deve deixar de procurar atendimento em casos de urgência.

1) Meu filho ainda está em acompanhamento ambulatorial e tenho dúvidas relacionadas aos medicamentos que ele está usando. Como posso resolver essas dúvidas?

Entre em contato direto (telefone) com o médico que está fazendo o acompanhamento dele e siga as suas orientações. Neste momento, só recomenda-se sair de casa quando for estritamente necessário.

2) Meu filho tem uma consulta ambulatorial nas próximas semanas – como devo proceder?

Tenta-se priorizar o atendimento à distância nesse momento, por telefone ou telemedicina. Por exemplo, se o seu filho estiver bem e sem intercorrências, é possível que a evolução e os planos terapêuticos possam ser discutidos por telefone. Ainda será necessário examinar seu filho para avaliar a sua evolução, mas isso será feito em um momento que seja mais seguro para o seu deslocamento e para minimizar os riscos de infecção.

3) Meu filho tem displasia broncopulmonar (DBP) e/ou está usando oxigênio domiciliar. Como devo proceder?

A maioria das crianças que se infectam com COVID19 não desenvolvem formas graves da doença. No entanto, crianças com DBP podem ser mais afetadas e devem ser incluídas no “grupo de risco”. Por essa razão, acreditamos que seja ainda mais importante seguir as orientações de manter o distanciamento social neste momento. Isso significa limitar ou evitar as visitas em casa, bem como evitar ao máximo expor seu filho a situações ou ambientes onde ele possa ter contato com outras pessoas. Mesmo que ninguém na família esteja sintomático neste momento, é importante lavar as mãos com frequência. Se o seu bebê estiver reduzindo o oxigênio, siga as orientações dadas pela equipe que está cuidando de seu filho.

4) Meu filho não tem DBP, mas interna frequentemente com infecções respiratórias, ou necessita frequentemente de antibióticos, ou está em investigação para imunodeficiência. O que eu devo fazer?

Nesse tipo de situação, consideramos prudente seguir as mesmas recomendações feitas para o grupo que tem DBP e considerar que seu filho faz parte do grupo de maior risco.

5) Meu filho nasceu prematuro, mas está bem de saúde e não apresenta outros problemas de saúde. Ele apresenta riscos?

A maioria dos bebês que nasceu prematuro já apresentam o seu sistema imunológico equivalente ao de um bebê a termo ao receber alta. Atualmente, não há evidências científicas de que ele esteja exposto a um risco maior do que um bebê nascido a termo. Entretanto, seria razoável classificar bebês que foram extremamente prematuros (nascidos com menos de 32 semanas) como “grupo de risco” até que atinjam os dois anos de idade. A maioria dos bebês prematuros que já completou dois anos de idade apresentam evolução de quadros como tosse, resfriado e gripe da mesma forma que as crianças que nasceram a termo. Exceções podem ocorrer, por exemplo, em casos nos quais os bebês necessitaram de oxigenioterapia domiciliar prolongada (mais de 6-9 meses) após a alta.

6) Com que idade a DBP é considerada superada?

A maioria dos bebês que desenvolveu DBP apresentará função pulmonar considerada adequada com cerca de 2 anos de idade. Uma pequena proporção de crianças pode apresentar limitações por um tempo maior, mas geralmente esses bebês permanecem em acompanhamento ambulatorial especializado. Sendo assim, se o seu bebê foi prematuro, já está com mais de 2 anos, NÃO necessitou de oxigenioterapia prolongada após a alta hospitalar e NÃO apresenta outros problemas de saúde, poderá seguir a recomendação padrão, de acordo com o Ministério da Saúde, para proteger você e sua família. Para a maioria das crianças, o risco de contrair COVID19 é muito baixo.

7) Não estou conseguindo obter álcool-gel, o que devo fazer?

Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos é tão eficaz quanto usar o álcool em gel. Se você tiver álcool em gel disponível, procure usá-lo em situações quando estiver fora de casa, ou em algum lugar onde não consiga lavar as mãos. Em casa, aproveite para usar água e sabão.

8) Posso usar paracetamol ou ibuprofeno?

Atualmente, a recomendação é usar paracetamol como antitérmico e analgésico em crianças e adultos, para aliviar os sintomas, a menos que você tenha sido orientado o contrário. Até o momento, não há evidências suficientes para contraindicar o uso de ibuprofeno, apesar do que foi vinculado na mídia. Entretanto, essa é uma informação que pode mudar com o maior conhecimento da doença.

9) Posso manter o calendário vacinal?

É muito importante que as crianças mantenham o calendário de vacinas atualizado. Não há motivos para evitar ou atrasar as doses, pois as doenças que são preveníveis pelas vacinas podem aumentar a gravidade de outras doenças infecciosas. No entanto, é necessário bom senso para não enfrentar aglomerações em unidades de saúde ou em clínicas e farmácias. Informe-se com o seu médico e na sua cidade. Em algumas cidades, as Unidades Básicas de Saúde estão agendando as vacinas e até mesmo aplicando doses em casa, nos grupos de risco. Clínicas particulares também estão agendando horários para evitar aglomeração e algumas já começaram a atender em casa também. Converse com seu pediatra e pergunte a melhor orientação para o seu caso, mas não atrase as vacinas.

10) Estou amamentando e tenho sintomas. Devo continuar amamentando?

Atualmente, a recomendação é de que os bebês se beneficiam da amamentação, mesmo que as mães tenham sintomas suspeitos ou sejam casos confirmados de COVID-19. Até a data de hoje, não há nenhuma evidência que sugira que o vírus seja transmitido pelo leite materno. O bebê pode ser infectado da mesma forma que as outras pessoas: pelo contato direto. Os benefícios associados a amamentação são maiores que a possibilidade (ainda não comprovada) de transmissão pelo leite materno ou pelo contato próximo da mãe com o bebê. Entretanto, essa é uma decisão pessoal, você pode pedir ajuda de seu pediatra ou obstetra, por telefone, para ajudá-la com essa decisão e traçar um plano que seja o mais adequado para você. Se optar por manter a amamentação, tome os seguintes cuidados, para limitar a chance de passar COVID-19 para seu bebê:

  • Lave as mãos antes de tocar no bebê, na máquina para tirar leite ou nas mamadeiras.
  • Use máscara simples durante a amamentação. Troque a cada mamada.
  • Evite tossir ou espirrar enquanto estiver amamentando.
  • Higienize a bomba de extração de leite com cuidado, seguindo as recomendações do fabricante.
  • Considere a possibilidade de pedir a um familiar assintomático que ofereça seu leite ordenhado ao bebê.
  • Se estiver oferecendo fórmula ou leite materno ordenhado, esterilize cuidadosamente o equipamento antes de cada uso. Não compartilhe o uso da bomba ou de outros utensílios com ninguém.

por Profa. Dra. Mariana González de Oliveira, professora de Neonatologia da UFCSPA e membro do Conselho Científico da ONG Prematuridade.com



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