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Congresso na Holanda orienta sobre cuidados com o prematuro

30/09/2019 A Dra. Rita de Cassia Silveira, do Conselho Científico da ONG Prematuridade.com, acompanhou o jENS 2019, na Holanda.

A Dra. Rita de Cassia Silveira, do Conselho Científico da ONG Prematuridade.com, esteve presente na 3ª edição do Congress of join European Neonatal Societies (jENS 2019), que ocorreu em Maastricht, na Holanda, de 17 a 21 de setembro, e compartilhou as últimas novidades divulgadas no evento sobre orientações específicas de cuidados com o prematuro. 

Dentre as diversas temáticas envolvidas, os cuidados para com o prematuro e como melhorar desfechos desfavoráveis associados ao nascimento prematuro foram os temas mais debatidos nos painéis de discussão, temas livres orais, sessões de mini-conferências e poster eletrônicos. Nos temas respiratórios, existe uma tendência cada vez maior em sermos gentis ao ventilar, evitando intubação e ventilação mecânica ,assim como o uso excessivo de oferta oxigênio para melhorar desfechos como displasia broncopulmonar, reduzir o tempo de UTI e de minimizar taxas de infecção, o eterno vilão do prematuro. A tendência na Europa é o uso de surfactante administrado de forma não invasiva, sem intubar e com cateter apropriado. Não deve ser usado de forma profilática, somente para resgate e sempre com CPAP apropriadamente aplicado para promover o recrutamento e otimizar o uso de surfactante.

Quanto aos aspectos nutricionais, foi muito reforçado o efeito protetor do leite materno na enterocolite necrosante e a modulação que ele promove na microbiota intestinal. No entanto, para que o leite materno tenha o teor proteico, cálcio e fósforo recomendados, assim como taxas de caloria, precisa ser aditivado. Sempre devemos preferir a via enteral do que a parenteral. Ou seja, assim que o prematuro estiver com uma oferta suficiente de nutrientes pela via enteral, precisamos suspender a via parenteral. Quando a Nutrição Parenteral Total é necessária, deve ter oferta precoce de aminoácido no mínimo 1,5 g/kg/dia e aumentar rápido no segundo para 2,5 g/kg/dia de aminoácidos, mas deve ser acompanhada de oferta mínima de energia (> 65 kcal/kg/dia) e lipídios. Devemos prover micronutrientes para o pequeno prematuro, especialmente o fosfato.

As incertezas diagnósticas quanto a infecção persistem e uso indiscriminado de antibióticos segue sendo combatido, sendo a principal medida a ser evitada é o uso de vancomicina e uso prolongado de qualquer antibiótico. Na sepse precoce, o uso empírico, ou seja, sem hemocultura positiva, somente pela suspeita clínica por tempo superior a 72 horas já altera toda microbiota que leva mais de uma semana para se recuperar ao estado basal.

Por fim, quero reforçar que continua muito importante os debates acerca do cuidado do prematuro centrado no apoio aos pais, à família na UTI neonatal. Pai e mãe devem ser envolvidos em todas as etapas do cuidar, para que se sintam participantes ativos do processo do cuidado de seu filho, não são visitas na UTI, são parceiros!

por Prof Dra Rita de Cassia Silveira MD PhD



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