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Aleitamento materno e prematuridade sob o ponto de vista da odontopediatria

10/08/2020 O aleitamento materno deve ser favorecido através do apoio de toda família e profissionais da saúde envolvidos, inclusive o dentista.

O leite materno é o alimento ideal, com elevado valor biológico e imunológico, que promove a saúde, a imunidade, o crescimento e o desenvolvimento infantil, e fortalece a continuação do vínculo afetivo entre mãe-filho que se iniciou no ventre materno, mas que foi interrompido um pouco ou muito antes da hora esperada. Este ato de amor materno deve ser favorecido através do apoio de toda família e profissionais da saúde envolvidos, inclusive o dentista.

Bons motivos ao incentivo da amamentação do ponto de vista odontológico:

1. O leite da mãe de prematuro é exatamente especial e único para favorecer a vida do bebê. Este natural e completo alimento ao propiciar nutrição e saúde ao bebê também promove saúde oral, ao favorecer a boa formação dos dentes do bebê que estão embaixo da gengiva.

2. A maioria dos recém-nascidos nascem com um retrognatismo mandibular fisiológico (queixo para trás). Pela magnífica perfeição da natureza durante o aleitamento materno exclusivo com uma boa pega e movimentos bilaterais e simultâneos que envolvem todo o complexo orofacial, é realizada uma correta sucção e deglutição em sincronismo com a respiração nasal. A alternância das mamas concederá o desenvolvimento da lateralidade e a simetria facial e corporal. Desta forma, na amamentação é realizado o exercício ideal para estimular o crescimento e o desenvolvimento adequado e simétrico da boca e da face do bebê, propiciando o equilíbrio da relação entre as arcadas superior e inferior com harmonia facial após os primeiros meses de vida, com repercussão por toda a vida.

3. Quanto mais tempo de vida o bebê amamentar será mais favorável ao crescimento e desenvolvimento das estruturas orofaciais e a boa postura da cabeça e pescoço, evitando ou minimizando o uso de aparelhos ortodônticos no futuro, bem como preparando melhor todas estas estruturas para as funções da mastigação e fala.

4. Recomenda-se que, enquanto não existirem dentes de leite presentes na boca do bebê, os pais não limpem a boca após as mamadas, para não retirar o leite materno que protege o bebê. Economizando assim a produção e descarte de milhões de dedeiras de silicone, gazes, paninhos, escovas de dentes para bebês, e do uso de água potável para esta higiene oral, uma forma de demonstrar do ponto de vista odontológico, a sustentabilidade deste alimento ouro, o leite materno!

5. Dentes de leite são importantes para mastigar, falar, sorrir, socializar, guardar espaço e servir de guia para os dentes permanentes surgirem na boca. Ressalta-se que na maioria dos bebês prematuros o primeiro dente de leite surge na boca quando já existe a alimentação complementar junto com o aleitamento materno. Nesta fase, é aconselhável estabelecer uma rotina de refeições seguindo as recomendações do médico pediatra e não oferecer açúcar nem preparações ou produtos que contenham açúcar até os 2 anos de idade, além disso, iniciar a higiene oral utilizando uma escova dental pequena, de cerdas macias e com pasta de dentes contendo flúor na quantidade equivalente a um grão de arroz cru. Este é o momento oportuno para consultar o Odontopediatra, para receber as orientações favoráveis ao crescimento e desenvolvimento orofacial e iniciar as medidas profissionais de promoção da saúde oral visando favorecer a qualidade de vida infantil.

Reflita os benefícios e persevere nos desafios deste aprendizado entre mãe e bebê prematuro. Sempre que possível, amamente e incentive as outras mães de prematuros a também amamentarem ou a oferecerem o leite do Banco de Leite Humano aos seus bebês.

O aleitamento materno sob todos os aspectos odontológicos pode ser considerado o melhor alimento para o bebê, para a mãe, para a família, para a sociedade e para o planeta!

por Dóris Rocha Ruiz, odontopediatra, mestre em Ciências pela Disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina (UNIFESP), doutora em Ciências pela Disciplina de Pediatria Neonatal da Faculdade de Medicina da USP, consultora da Global Child Dental Fund (UK) e membro do Grupo de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP)



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