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A chegada da princesa Maria Luiza

25/08/2017 Maria Luiza.

"Antes de falar do parto em si, acho importante falar um pouco sobre a gravidez e como tudo foi acabar numa cesárea não programada e em um parto prematuro.

No dia 24 de dezembro de 2014, suspeitei estar grávida e foi confirmado com o teste de farmácia e depois o de sangue. Como era final de ano, fiquei procupada em marcar uma consulta e começar meu pré-natal direitinho. Era minha primeira gestação e queria que tudo desse certo. Queria optar pelo parto normal também, o que me fez fazer uma pesquisa por um bom médico humanista, já que lá pela 4º consulta o médico do plano que estava me atendendo disse com todas as letras que não faria parto normal pelo plano e não tinha obrigação nenhuma em me atender fora da clínica, já que o contrato era entre plano e clínica. Sim, ele fez isso, pasmem, não é histórinha de paciente. Diante de tantas histórias sobre médicos, não me apavorei, decidi procurar um médico do jeito que queria, nem que para isso tivesse que desembolsar algum dinheiro. Não preciso nem dizer que tudo não ocorreu 100%, mas, ainda assim, a melhor das decisões foi mudar de médico, pois mal eu sabia que iria passar por um parto prematuro. Não demorei a escolher, afinal já estava na 5º consulta e início do segundo trimestre.

Senti muitas dores já a partir da 15º semana - dores na lombar, pressões no púbis, um cansaço, tudo que a nova médica dizia ser normal. Fiz todos os exames direitinho e U.S. (só descobri o sexo com 27 semanas) e, mesmo a médica suspeitando de pressão alta, nenhum exame constatou nada (cheguei a fazer o "bendito" M.A.P.A, eita, exame chato!). O único alerta seria uma incisura, que com a pressão controlada não apresentaria nenhum risco. Na 29º semana, durante a consulta de rotina, relatei uma cólica. Cólica que havia sentido no final de semana anterior e que não cessava mesmo eu deitando. Com o exame de toque, a médica constatou um “apagamento” do útero em 50%. Não se tratava de simples contrações de treinamento, mas uma eminência de parto prematuro. Fui orientada a tomar as tais vacinas para o pulmão do bebê, tomar ultragestan, manter um repouso (não precisava ser absoluto) e antecipar todo processo de pré-natal (consultas no intervalo de 15 dias e depois de 1 semana).

Com 33 semanas, tinha decidido fazer meu ensaio gestante, de última hora, achei que se não o fizesse ficaria arrependida (e fiquei). Assim, na quinta feira, dia 16 de julho, resolvi ir atrás de um top para o ensaio e de baldes para lavar as roupinhas do bebê (já tava desesperada com a possibilidade de parto prematuro e nada ainda pronto). Passei muito mal naquela madrugada, muitas dores lombares que cessaram com a dipirona, mas, como durante toda a gravidez as dores me acompanharam, achei que fosse mas uma das dores normais que havia se intensificado por conta do peso da minha menininha.

Acordei normalmente na sexta-feira, sem dores, bem disposta, tomei café, fiz minhas coisas. Era exatamente meio-dia quando resolvi levantar da cadeira para ir almoçar e um jato de água molhou a cadeira. Liguei para meu marido, que tinha 3 audiências naquele dia, sendo duas em outro município. Sorte que ele ainda estava perto de casa. Liguei pra médica, saí sem nem tomar um banho. Na maternidade lotada, confirmaram a bolsa rota, explanei meu desejo de parto normal. Fiquei umas 2/3 horas antes de subir para o quarto e me preparar para o parto. Começaram a indução (acho que tarde) e, às 4 horas, minha médica chegou para me examinar. Pude ainda tomar banho, comer. Estava calma, até hoje não consigo entender como consegui manter essa tranquilidade.

Às 20h, subimos para a sala de parto natural, não sentia nada. Fui avaliada às 21 h de novo e nada das contrações. Maria, ao que tudo indicava, estava bem, mas o hospital lotado, equipe ansiosa, senti uma certa pressão e decidi ir para mesa de cesárea. Às 21:50, Malu nasceu com 2.180g, contrariando o peso da ultra de 2.060g. Linda, gordinha, de olhos abertos, meio roxinha, quase não chorou. Consegui tirar umas fotos, depois ela foi embora. Senti frio da anestesia, subi para o quarto e fui informada pelo meu marido que ela tinha ido para UTI devido a um desconforto respiratório.

Na manhã seguinte, fui vê-la na UTI. Foram 13 dias de internação sem maiores problemas, apenas uma icterícia que a deixou 5 dias naquela luzinha azul. Logo saiu da incubadora, da sonda, começou a mamar no peito, ganhou peso. O dia da alta foi um dia estranho, os médicos me deixaram (eu e mais 3 mães) ansiosas o dia inteiro, sem confirmar a alta (isso rende um relato a parte, todo essa falta de humanidade que é UTI).

No fim, deu tudo certo. Maria Luiza hoje tem desenvolvimento normal, peso normal. Deu tudo certo. Diante de tantas outras histórias na UTI, de tantos outros sofrimentos, tenho certeza que as coisas aconteceram da melhor forma para minha filha. Hoje Maria Luiza tem 18 meses, quase 12 kg e desenvolvimento normal, apesar das dificuldades de amamentação e da prematuridadejá se comunica bem, andou com 13 meses.

(relato da mamãe Gabriela Brazil, enviado em 2017)



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