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Maria Eduarda, um belo sonho realizado

24/02/2014

“A nossa história começa antes mesmo da concepção, afinal, essa foi uma gestação mais do que planejada, mais do que desejada! Mas iremos contar a partir de nossa descoberta. Somos um casal jovem, eu com 35 anos e meu esposo com 32. Aos três dias de atraso, confirmei com teste de farmácia o que a minha alma já sabia: o meu bebê estava chegando!

A minha passagem já estava comprada há 2 meses atrás e fomos nos preparando para ir para o exterior fazer o enxoval, preparar o quartinho, cuidar e arrumar a casa para essa tão esperada chegada. Infelizmente, começaram os problemas quando, no terceiro mês de gestação, por uma permissão divina que só podemos entender depois, fui surpreendida em meu trabalho com uma carga de estresse que jamais imaginaria ter que passar, muito menos estando em gestação em curso. Foi nessa fase que também descobri o que meu coração desejava: com 12 semanas de idade gestacional, conseguimos ver que era uma menina!

Um dia, quando a minha ansiedade disputava espaço com as minhas preocupações, tive o meu primeiro sangramento, era uma ameaça de abortamento. Mesmo assim, continuei inabalável, segura de que tudo iria dar certo com o meu bebê. Começamos uma rotina de USG a cada 21 dias para saber de perto como andava a pequenina. Pequenina mesmo, pois era quase necessário andar com o teste da farmácia em mãos já que a tão esperada barriga não queria aparecer...

Aos 6 meses, começou a apontar uma barriguinha, alargou o quadril e as roupas começaram a ficar apertadas. Nos exames, ela estava um pouquinho menor do que o esperado, mas com os órgãos e desenvolvimento completamente normal. Foi aí então diagnosticado o quadro de Restrição do Crescimento Intra-Uterino (RCIU). Começamos uma campanha de hiperalimentação, na tentativa de manter o melhor aporte nutritivo possível para a pequena. Uma pequena que seria grande, pois até nome já tinha: Maria Eduarda. Aos 6 meses de gestação também começaram algumas contrações e ameaça de trabalho de parto prematuro.

Ao completar 32 semanas de gestação, com apenas 1,400 kg ao USG, Maria Eduarda iniciou franco trabalho de parto. Conseguimos inibir, após uma noite de internação hospitalar em uso de medicações próprias para inibição de trabalho de parto. Como moramos em uma cidade do interior da Bahia, na manhã seguinte tivemos que pegar a estrada rumo à capital mais próxima, na intenção de termos um hospital com UTIN ao nosso alcance. Não tinham vôos e a viagem duraria cerca de 8h. No caminho, fomos surpreendidos por uma barreira de índios fazendo manifestação na estrada e interditando a BR. Mesmo a polícia intervindo, nada podiam fazer!

Ali, na frente dos índios, voltei a ter contrações. E foi quando as nossas orações chegaram aos céus e tocaram os corações daqueles nativos que estavam armados para a luta! Liberaram exclusivamente a nossa passagem em uma fila de 12 km de carretas e carros parados.

Conseguimos chegar ao hospital e, graças a Deus, as contrações diminuiram progressivamente, e ficaram assim por mais duas semanas. Continuamos tentando inibir o parto, mas na 35ª semana de gestação, as contrações aumentaram a ponto de iniciar um novo trabalho de parto evidente. O colo dilatou, mas não o suficiente, tendo que ser necessária uma cesária de urgência.

Foi assim que, no dia 27 de outubro de 2013, nasceu a Maria Eduarda, pesando 1,630 kg e com 47cm de estatura. Ela nasceu dando careta para o mundo! Colocou a línguinha de fora querendo dizer: "Tô nem aí para as preocupações de vocês, darei conta de mim sim!".


Começou, então, anossa vida de UTIN. E essa "vida" não desejamos a ninguém... Ver a sua filha, que brincou dentro de você todos aqueles meses, que foi sua companhia e companheira, que te emocionou com cada chute e que te alegrou com cada mexida ali, através de um vidro, indefesa, intocável e cheia de cuidados é muito doloroso!

No segundo dia de internação, ela apresentou uma queda dos parâmetros e foi diagnosticada uma sepse neonatal. Dois dias depois ela mesma retirou o CPAP, aparelho que oferece uma respiração artificial. Para surpresa de todos, ela ficou melhor e mais confortável sem ele. Então, pudemos pegá-la no colo, a mamãe e o papai. Mas, para tê-la em nossos braços, só quando as "tias" colocassem.

E veio a minha alta do hospital. Foi quando então tive que me dar conta do que estava acontecendo: entrei no hospital com a minha filha em meu ventre, saí sem a minha barriga e sem ela nos meus braços! Quanto vazio!

Continuou assim a minha rotina de mãe de UTIN: acordava cedo, ordenhava leite. Saía de casa e ia até o banco de leite buscar leite suficiente para levar ao hospital para a minha bebê. Na UTIN, chegava e ia direto ordenhar novamente. Então, pedia à "tia" para ganhar um colinho e ficava esperando a hora da única mamada diária autorizada pela neonatologia. Sim, pois mamar demais faz emagrecer tamanha a ginástica! Então, as mamadas no peito da mãe eram rigorosamente regradas. Uma vez ao dia, por no máximo 30 minutos. Após a mamada, ficava de mamãe canguru até terminar meu horário de visita. À noite, voltava para casa, sozinha, sem ela nos braços, sabendo que a deixei dentro daquela incubadora de acrílico, a tal "caixinha de vidro". Chegava em casa muito cansada, mais ainda emocionalmente que fisicamente. Em casa, antes de dormir, uma nova ordenha até recomeçar tudo no dia seguinte.

 

 

 

 

 

 

 

A angústia desses dias era infindável. Não via a hora de poder retirá-la e levá-la em meus braços. Para ter alta, era necessário ter peso suficiente e a pesagem era feita apenas três vezes por semana. O dia de pesagem era o dia mais tenso, mais ansioso. Eu chegava na UTIN já procurando quem pudesse me revelar a notícia mais esperada dos últimos dois dias: "Quanto foi que deu o peso?". Cada grama era motivo da maior alegria ou de uma tristeza sem fim.

E fomos assim, até completar o 20º dia de UTIN e, com muita conversa, barganha e compromisso com a equipe de neonatolgistas, conseguimos a alta para o quarto. Dez dias depois, com 1,950 kg, da mesma forma obtivemos a tão sonhada alta hospitalar.

Maria Eduarda veio para casa e, enfim, conseguimos começar a nossa rotina de bebê recém-nascido e mamãe de primeira viagem. Foi um sonho realizado!





Hoje, dia 16 de dezembro, a minha princesinha tem seus 3 kg enquanto completa seus quase 2 meses de vida. Está cada dia mais esperta e linda, sorrindo para o mundo o qual deu careta ao nascer, e assim vamos levando a nossa vida. Juntas, felizes e com muito, mas muito amor!”

Henriene, mãe da Maria Eduarda

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