Notícias

Notícias

21.01.2022

Aplicativo ajuda pais de bebês prematuros com os cuidados pós-UTI

Pesquisadores da Universidade de Northwestern notaram que os pais tinham dificuldades em absorver as orientações médicas e cuidar dos pequenos depois da alta e desenvolveram ferramentas para facilitar essa transição.

Ter um bebê, em geral, envolve uma alta carga de estresse, privação de sono, insegurança e cansaço. Entretanto, as situações extremas são potencializadas quando se fala de nascimentos prematuros, especialmente quando o recém-nascido precisa passar longos períodos em uma UTI neonatal.

São enxurradas de informações sobre as mudanças de pesos do bebê, níveis respiratórios, padrões de alimentação e desenvolvimento, além de toda a angústia e medo relacionados a ver seu pequeno passar os primeiros momentos da vida atado a tubos e aparelhos complexos.

Tudo isso deixa os pais inseguros e tende a dificultar os primeiros cuidados depois da alta hospitalar. Foi o que observaram os pesquisadores da Universidade de Northwestern.

Para tentar auxiliar as famílias durante o período de transição, eles desenvolveram um aplicativo chamado NICU2Home. Com um tecnologia simples, similar a de outros softwares de registro de informações o diferencial desta aplicação é mesmo o conteúdo.

Ele concentra uma lista de parâmetros médicos, que normalmente são passados pelas equipes das UTIs, mas podem ter ficado perdidos na memória dos pais cansados ou estressados, além de dicas de como embrulhar, segurar, embalar e alimentar os bebês prematuros.

Em um estudo clínico com pouco menos de 300 famílias, dividas entre grupo teste e controle, os cientistas notaram que os pais que usavam o aplicativo relataram que se sentiram mais confiantes nos cuidados com o recém-nascido durante todo o tempo em que ele esteve na UTI e em até 30 dias depois.

Quanto mais verificações, maior a confiança
Os pesquisadores também observaram que as famílias que descreveram maior senso de autoeficácia usavam a ferramenta com mais frequência e em períodos mais regulares. “Muitas coisas que os pais fazem para cuidar de um bebê, como dar de mamar, dar banho ou até mesmo segurar, são feitas pelos profissionais da UTIN. Muitos pais não se sentem à vontade para cuidar deles porque são muito pequenos, doentes”, explicou em comunicado à imprensa Craig Garfield.

Professor de pediatria e ciências sociais médicas na Universidade de Northwestern e pediatra no Hospital Infantil Ann & Robert, ele é o principal autor da pesquisa. Para o doutor Garfield, a ferramenta é útil porque ajuda os pais e mães a se prepararem para aquele bebê em particular e se sentirem seguros em relação aos cuidados médicos específicos do caso que têm em mãos.

"Como clínico, posso ter um tempo limitado para conversar com uma família sobre um problema com seu filho ou eles podem ficar sobrecarregados, mas com as informações oferecidas no aplicativo, estar conectado ao prontuário eletrônico e poder para acessar o aplicativo por um ano inteiro depois de sair da UTIN, achamos que é uma ferramenta muito útil para os pais na UTIN", relatou o pediatra.

Ele explica que a tecnologia desenvolvida pela Universidade se concentrou em dar as informações certas no tempo certo para os pais. Outra descoberta em relação aos hábitos das famílias pesquisadas foi que olhar o aplicativo era a primeira coisa que eles faziam ao acordar pela manhã e a última à noite, antes de dormir.

"Ele fornece uma atualização sobre o que aconteceu durante a noite. O bebê se mudou para um berço aberto? Houve alguma mudança em sua situação respiratória? O bebê ganhou peso?", exemplificou Garfield sobre as coisas que os pais buscam na ferramenta.

Estudo ampliado
As famílias do grupo teste verificaram o aplicativo, em média, 15 vezes por dia. Sendo que quanto mais vezes os pais olhavam as ferramentas, mais seguros afirmavam se sentir em relação aos cuidados com o bebê.

O próximo passo do estudo será implantar o aplicativo em três hospitais de Chicago, nos Estados Unidos, e incluir também famílias com crianças que nasceram a termo, isso é, durante o período esperado, ao longo da emergência de covid-19.

Fonte: Correio Braziliense

Compartilhe esta história

Histórias Reais

Veja histórias por:

Receba as novidades

Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que acontece no universo da prematuridade.