

10 de Fevereiro de 2026
Vitor - 28 semanas
Meu nome é Alini, tenho 35 anos e meu filho Vitor nasceu no dia 08/12/2020, com 28 semanas de gestação (já se passaram mais de 5 anos).
Eu tive uma gravidez planejada, totalmente tranquila, sem intercorrências, com muita disposição e quase nenhum desconforto (exceto leves enjôos no início). A gravidez corria super bem, porém, no dia 07/08/2020, acordei durante a madrugada com uma dor de cabeça intensa, tomei um remédio e voltei a dormir. Pouco tempo depois, acordei novamente e mal podia suportar aquela dor.
Tínhamos um aparelho de pressão em casa, e meu marido sugeriu aferir. A minha pressão estava 20x12 (nunca tinha visto nada do tipo). Corremos para o hospital, fui internada de forma emergencial e fizemos um ultrassom. Ali, pela primeira vez, tivemos más notícias. A médica disse: "Seu bebê não está bem, o peso não está adequado e tem pouco líquido, você está com pré-eclâmpsia grave".
Meu mundo literalmente desabou. Chorei muito (por muito tempo, não conseguia, por nada, parar de chorar). Liguei para o meu marido, que não pôde entrar no hospital devido à pandemia, e ele veio. Choramos juntos, ficamos sem chão.
A médica disse que eu seria internada e que, em uma semana, seria feita a cesárea. Iniciei um tratamento com surfactante, mas nada baixava minha pressão. Continuava muito alta. Foi quando os médicos disseram que teriam que fazer a cesárea antes do previsto.
Eu entrei em pânico. Não imaginava como um bebê poderia nascer de 28 semanas, não imaginava como poderia sobreviver fora do útero. Porém, algo aconteceu e eu me sentia como se estivesse fora de mim, da minha consciência. O choro cessou e eu aceitei o fato de que poderia perder meu bebê.
Assim foi. No outro dia, uma terça-feira, a cesárea foi feita e o Vitor nasceu com 910 g... e ele chorou no parto, coisa que ninguém esperava, muito menos eu. Ele foi direto para a UTI, e eu só pude segurá-lo alguns dias depois.
Eu ainda precisei ficar internada mais alguns dias e, dois dias depois, pude visitá-lo na UTI. Eu ainda não aceitava o que tinha acontecido, me perguntava o tempo todo: por que comigo? Por que com meu filho? Mas aconteceu.
O que mais me consumia era não conseguir ver o futuro dele, pensar em sequelas, em perdas, em dor e sofrimento... E, como ele foi um prematuro extremo, os médicos da UTI não nos davam muitas estimativas. A frase era sempre a mesma: "Um dia de cada vez".
Eu estou falando para você, pai e mãe que tiveram um filho prematuro e estão no meio desse furacão... Os bebês sempre nascem para a vida, não só os prematuros, todos eles. Mas os prematuros vêm com uma força extra que eu não conseguiria explicar aqui para você.
O Vitor superou todas as expectativas e foi contra todas as estatísticas. Ele não precisou ser entubado em nenhum instante, saiu do CPAP muito antes do esperado, nunca teve qualquer intercorrência durante os dois meses que ficou na UTI Neo (um parêntese aqui: não se apeguem a esse tempo, ele passa e, um dia, você nem vai lembrar disso).
Vitor foi nosso milagre, nosso guerreiro. Ele é forte, é inteligente, é um menino incrível. Andou com 11 meses, come de tudo e nos enche de orgulho todos os dias.
Decidi contar minha história aqui porque, muitas vezes, eu recorri ao prematuridade.com apenas para ler as histórias, e isso me dava muita esperança. Por isso, espero que a história do Vitor possa ajudar outras famílias!
Se você quiser conversar, saber mais da história dele ou tirar alguma dúvida, responderei com todo carinho. Meu e-mail é alini.mello@gmail.com.
Um abraço! E, quando não tiverem forças, olhem para o seu milagre, que a esperança vai se renovar.
Alini de Mello, mãe do Vitor.


