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12.03.2022

Guerreira Amanda

Quando engravidei do meu primeiro bebê (um menino) em dezembro de 2002, eu o perdi com 19 semanas e meia de gestação devido a uma forte infecção urinária, e pela prematuridade extrema obviamente o bebê não sobreviveu.

Choramos muito, pois eu tenho Síndrome dos Ovários Policísticos-SOP e meu marido, uma baixa contagem de espermatozóides e tivemos que fazer tratamento para engravidar com um médico especializado em reprodução humana, e depois de finalmente estar grávida eu perdi o meu bebê.

Após um tempo iniciamos o tratamento para engravidar novamente e em novembro de 2003 engravidei. Porém, com dois meses de gestação tive um sangramento e perdi o meu segundo bebê.

Em quinze de outubro de 2004 eu peguei o meu terceiro resultado de gravidez. Desta vez, com um bom obstetra, ele me explicou que faria uma circlagem uterina (sutura no colo do útero), pois provavelmente eu sofria de Insuficiência Istmo Cervical (IIC). Na época eu pesquisei na internet e não achei nada que falasse sobre IIC nem circlagem uterina.

Com 12 semanas de gestação eu fiz a cirurgia, fiquei 20 dias de repouso em casa e depois voltei a trabalhar. Durante a gestação eu evitei apenas pegar peso, além da abstinência sexual. No demais, eu dirigia, fazia compras em supermercado e todas as atividades de dona de casa.

Com 22 semanas de gestação marcamos o ultrassom morfológico, onde fui com tamanha esperança de conseguir ver o sexo do meu bebê. Era outro menino e se mexia bastante. Era perfeito e não tinha nenhuma má formação. No entanto, logo após saber o sexo, eu e meu marido fomos surpreendidos pela notícia de que um dos pontos da circlagem havia esgarçado.

Entrei em pânico! Fui internada na mesma hora e meu obstetra realizou outra circlagem, onde eu já havia sido informada pelo meu médico que durante o procedimento a bolsa poderia romper e eu poderia perder o meu bebê, pois a gestação já estava avançada. Mas deu tudo certo. Após a cirurgia eu fiquei internada com as pernas para cima, onde as enfermeiras me davam banho na cama e eu não poderia levantar nem para fazer as minhas necessidades fisiológicas. Segundo o meu médico eu ficaria internada até o final da gestação.

Eu estava esperançosa que tudo daria certo. Mas quatro dias depois eu entrei em trabalho de parto e com 23 semanas e meia (seis meses de gestação), o meu bebê (outro menino) nasceu. Ele nasceu vivo, olhou para o lado, deu um suspiro e morreu. Fiquei desolada!

Ainda no quarto do hospital quando fui tomar meu banho, enquanto a água lavava o meu corpo, as minhas lágrimas lavavam a minha alma. Eu me sentia derrotada, insegura e frustrada como mulher. Porém, quando me sinto desafiada por qualquer coisa eu me determino e encontro forças do nada para lutar. E eu estava decidida: iria pesquisar tudo o que pudesse sobre a IIC, me preparar e engravidar novamente. O meu médico disse que numa futura gestação eu teria que fazer repouso absoluto.

Em agosto de 2006 engravidei novamente. Eram gêmeas, mas com dois meses de gestação um dos embriões não foi para frente. Fiquei nervosa, apreensiva, com medo de perder o outro também. Fiz circlagem com doze semanas de gestação e desde então, repouso absoluto. Me afastei do trabalho e fiquei 172 dias deitada com as pernas para cima noite e dia. Comia recostada à cama e tomava um banho de 4 minutos sentada. Os meus cabelos a minha empregada lavava na cama.

Com 22 semanas de gestação o colo do meu útero estava muito curto (característica da IIC) e os médicos disseram que eu ganharia no máximo mais um mês de gestação e que não havia mais o que fazer. Decidi que iria vencer e desafiar a medicina. Aumentei o meu repouso por conta própria, passei a tomar banho na cama, comer deitada, tomei água de canudinho e cri em DEUS acima de tudo. Eu não ria, não espirrava, não espreguiçava. Limitei os movimentos do corpo tamanho era o medo de fazer qualquer tipo de força e esgarçar os pontos da cerclagem.

Resultado: a minha filha nasceu com 37 semanas de gestação, pesando 3.170 g. e 48 cm.

Para quem não era capaz de carregar um bebê de meio quilo porque o útero não suportava peso, Deus provou que eu pude carregar uma bebê linda, perfeita e saudável que nasceu com mais de três quilos.

Criei o grupo Cerclagem (no Facebook) que hoje conta com mais de 13 mil mulheres. Escrevi o livro E ENFIM SOU MÃE! COMO SUPEREI TRÊS ABORTOS E VENCI A INSUFICIÊNCIA ISTMO CERVICAL, com esclarecimentos de dúvidas sobre a Insuficiência Cervical e Cerclagem dadas pelo Dr. Ricardo Barini - renomado Prof. Livre Docente da UNICAMP e Dr. Marcelo Luís Nomura, médico assistente e especialista em circlagem na UNICAMP. 

O que posso dizer é que faria tudo novamente para ter a minha doce e amável filha. Admiro o trabalho de vocês! Tenho muitas mulheres no grupo que sofrem aborto espontâneo (no segundo trimestre da gestação - característica da IIC) ou sofrem o parto prematuro. 

(Relato da mamãe Erivane, enviado em 2019)

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