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02.02.2022

Gravidez na adolescência no Brasil tem média maior que a mundial

Situação implica em riscos diversos, como o parto prematuro, alerta a ONG Prematuridade.com

Apesar de os índices de gravidez na adolescência registrarem queda no Brasil, nas últimas duas décadas, o cenário ainda é preocupante. De acordo com os dados mais recentes publicados na última semana pelo Sinasc (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos) do SUS (Sistema Único de Saúde), um em cada sete nascimentos em 2020 foi de mãe adolescente. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humano, no mesmo ano foram registradas 53 gestações em cada mil brasileiras entre 15 e 19 anos. A média mundial é de 41 gestantes adolescentes. O cenário tem alerta reforçado a partir desta terça-feira (1), quando se inicia a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, com o objetivo de orientar e conscientizar a sociedade acerca da questão.

Foto: UNICEF

Em 2020, 14% dos partos (380.780) foram nesse perfil, sendo quase 18 mil em garotas de 10 a 14 anos. “A gravidez na adolescência é considerada de alto risco e é um problema de saúde pública, especialmente quando ocorre abaixo dos 14 anos de idade. A adolescente não tem maturidade do sistema reprodutor, pois ele ainda não foi totalmente desenvolvido”, ressalta Priscila Coelho Amaral, médica hebiatra e colaboradora de conteúdo da ONG Prematuridade.com. “A incidência de hipertensão, doença frequente na gravidez, é cinco vezes maior nas adolescentes, que também são mais propensas a ter anemia. Muitas, inclusive, já estão anêmicas quando engravidam e têm o problema agravado durante a gestação, o que aumenta o risco de bebês prematuros, com peso menor e a necessidade de cesáreas”, completa.

Embora haja maior circulação de informações sobre prevenção à gravidez na internet, parte do problema da gestação na adolescência está ligada a questões econômicas e sociais, além dos tabus acerca das discussões sobre sexo, principalmente para quem está iniciando a vida sexual. Uma pesquisa divulgada no final de dezembro pela Bayer, em parceria com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e conduzida pelo IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), intitulada “Panorama atualizado da gravidez não planejada no Brasil”, verificou que mais da metade das meninas não foram consultar um ginecologista ou algum profissional de saúde quando começam a ter atividade sexual para que fossem orientadas sobre métodos contraceptivos. Quando questionadas do porquê não tinham ido ao médico, 30% disseram que nem sabiam que precisavam; quase 30% disseram que tinham vergonha, não se sentiam confortáveis e cerca de um quarto delas disse que os pais não deixariam ou não incentivariam que fossem procurar um ginecologista. Outras 20% ainda disseram que não tinha acesso ao especialista.

“As complicações gestacionais e no parto representam a principal causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos mundialmente, pois existe maior risco de série de problemas – entre os quais a prematuridade, como já mencionado”, fala Priscila. A desinformação e a falta de orientação sexual na família e na escola trazem sérios riscos aos adolescentes e que vão além da gravidez não planejada. Há, ainda, a questão da evasão escolar, a rejeição familiar, a não realização do pré-natal, o aborto em condições inseguras, enfim, a questão precisa ser amplamente debatida, sem tabus. Como também já frisado, é um problema de saúde pública”, completa.

A hebiatra avalia que um dos desafios que envolvem a problemática é a prevenção da reincidência da gestação na adolescência. “Quanto menor a idade e mais baixa a renda familiar, maior a chance de uma nova gestação no período da adolescência. Diante disso, a oportunidade de acesso aos serviços de saúde e a qualificação do atendimento são importantes ferramentas para a promoção da saúde global dos adolescentes, envolvendo as orientações sobre saúde sexual e reprodutiva, e objetivando uma escolha mais consciente do melhor momento para uma gestação”, conclui.

A ONG produziu o Observatório da Prematuridade, documento desenvolvido com base nos dados coletados pela Numb3rs Analytics e nas altas hospitalares codificadas pela plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil®️ no período de 1º de janeiro de 2019 a 30 de setembro de 2021. O material reúne diversos cenários de todo o país, inclusive a questão relacionada à faixa etária das mães.
O conteúdo completo está disponível no link https://prematuridade.com/_files/view.php/download/pasta/1/61f96b65a3779.pdf.

Plano Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) abriu consulta pública para envio de sugestões e colaborações ao Plano Nacional de Prevenção Primária do Risco Sexual Precoce e Gravidez na Adolescência. Os encaminhamentos puderam ser feitos até o último dia 14.

A iniciativa vai reunir objetivos, ações e estratégias do governo federal para orientar a sociedade sobre o tema, com o propósito de direcionar o aperfeiçoamento e a ampliação de políticas públicas, além de agregar o componente do enfrentamento à sexualização precoce de crianças e adolescentes.

Em outubro de 2021, foi instituído um Grupo de Trabalho para formular propostas para a construção do Plano Nacional de Prevenção Primária do Risco Sexual Precoce e da Gravidez de Adolescentes. A iniciativa é coordenada pelo MMFDH e conta com a participação dos ministérios da Cidadania, da Educação e da Saúde.

O Plano Nacional, proposto por meio da consulta pública, tem 24 iniciativas e cinco eixos estratégicos: promoção e democratização de conhecimento; formação de atores; sensibilização e mobilização; aprimoramento dos serviços e políticas; e, participação da família.


Predicado Comunicação

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