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15.09.2021

Giovanna Eu Acredito Em Milagres

“Quatro anos tentando engravidar, dois abortos espontâneos, uma gravidez ectópica, após tantas perdas e quase sem esperança, me vi grávida de gêmeos. Com apenas uma trompa, diante de tamanha graça de Deus, o que poderia dar errado?

Gestação tranquila, mesmo sendo portadora de trombofilia, necessitando usar o medicamento clexane durante toda a gravidez, tudo parecia sob controle. Era uma bela manhã do dia 02 de novembro de 2016, passei a madrugada bastante incomodada, achando que os gêmeos estavam com pouco espaço e era normal aquele incômodo na região lombar, não sabendo que ali se iniciava a jornada mais intensa de minha vida.

Eles estavam a caminho, aproximadamente às 10h da manhã, fui beber água quando senti bastante líquido escorrendo pelas minhas pernas, não tinha chances de não ser a bolsa que havia rompido pela quantidade de líquido. Nos dirigimos rapidamente ao hospital, cheguei sem dor, após umas duas horas as dores começaram, muita contração, foram feitas várias tentativas para inibir o trabalho de parto, sem sucesso.

Às 15h, foi feito o último exame de toque e o médico falou, está nascendo, fui levada às pressas para o bloco cirúrgico e acionaram a equipe necessária. Giovanna nasceu com apenas 1.125Kg, 36 cm e após quarenta minutos, nasce João Marcelo, com 1.400Kg e 39cm, ambos de parto normal.

João não chorou, precisou ser logo entubado, meu coração sabia que ele não estava tão bem, foram encaminhados para a UTI neo, tivemos a graça de tê-lo conosco pelas temíveis 48h, quando nos ligam para se dirigir a UTI e informar o que meu coração já sabia, ele havia partido por complicações da prematuridade, apresentou quadros de hemorragias cerebral e pulmonar.

Sair da maternidade para o necrotério é o pior percurso que uma mãe pode fazer, nunca esquecerei, enquanto minha miúda Giovanna continuava a lutar, por ela e por nós, uma gangorra de emoções, o luto por ele e a luta por ela. Foram 40 dias, dormindo no hospital, optei por não ir para casa após a perda do meu João, não conseguia sair daquele lugar, tirava leite a cada três horas rigorosamente, para ser ofertado a ela, tive a graça de produzir bastante e doava para os demais bebês da UTI que as mães não tinham suficiente.

Entrava na UTI umas 10 vezes ao dia, pedia a Deus para sair com ela nos braços, independente de como estivesse, não sabia ainda ao certo se teria sequelas, só queria cuidar dela. Fazer coisas simples como dar banho ou ser acordada para uma mamada. Deus foi generoso, ela não teve complicações, infecções e não precisou ser entubada.

Giovanna com 1.800Kg saiu da UTI, passou mais sete dias no hospital para adaptação e saímos com 1.955Kg, parecia o despertar de um pesadelo, sair de alta. Foi um tempo de aprendizado e fortalecimento, agradecemos a boa assistência prestada, o carinho de todos os amigos e os cuidados de Deus, um ano e meio de terapias para estimulação precoce e hoje, estamos bem, ela é uma verdadeira guerreira!”

(Relato da mamãe Amanda, enviado em 2019)

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