26 de Janeiro de 2026

A benção veio em dobro

Vou começar meu relato contando minha luta para realizar meu sonho de me tornar MÃE. Em dezembro de 2022, descobri minha gravidez, mas resolvi fazer surpresa para minha família e sobrinhos. Na noite de Natal, resolvi dar a notícia; todos ficaram felizes. Porém, mal sabia eu que, ao amanhecer, eu acordaria sangrando. Fui de imediato ao hospital, hospital de emergência de cidade pequena do interior do Maranhão; é só o médico e a fé, pois não há um ultrassom sequer. Lá, levei um toque de um médico plantonista que mais parecia que ele mesmo tinha arrancado o feto com as mãos, de tanto sangue que saiu. Naquele momento, eu percebi que não teria mais bebê. Fiquei mal, mas entendi que era a vontade de Deus.

Em 2023, engravidei novamente. Desta vez, tomei remédios para segurar a bebê; sim, era uma menina. Levei a gravidez até 32 semanas. Foi uma gravidez totalmente saudável, sem dores, sem enjoos, mas, em janeiro de 2024, ao acordar, percebi que a bebê não mexia mais. Fui de imediato ao posto de saúde do meu pré-natal; fui encaminhada para fazer ultrassom em uma clínica particular, e lá foi constatado que a bebê já não havia batimentos. Naquele momento, meu mundo caiu; eu também queria que meu coração parasse de bater. Fui para a maternidade novamente, fiz ultrassom pedindo para que o diagnóstico da clínica estivesse errado, mas eu que estava errada de pensar assim. Fui para a capital, pois teria que parir a minha bebê. Fui de uma maternidade para outras duas e, por fim, tive que parir minha filha sem vida. Nasceu com 32 semanas, pesando 2.050 kg, linda demais. Enviei aquele corpinho lindo para o serviço de verificação de óbito, e não houve causa da morte. Não poder pegar no colo para trazer para casa me doeu tanto. Entrei em depressão. Superei a depressão com remédios e academia e resolvi tentar novamente, e assim foi.

Em janeiro de 2025, engravidei, mas, na semana seguinte, sangrei novamente e perdi meu 3º bebê. Resolvi, no início de abril de 2025, aproveitar as férias para fazer exames em uma clínica de fertilização. Consultei, passei por exames, fiz todos os exames e, no final de abril, sem nenhum tratamento, descobri minha gravidez. Fui encaminhada para o pré-natal de alto risco. Tudo certo, as férias acabaram. Após duas semanas, em uma noite, ao chegar do trabalho, fui ao banheiro e vi sangue; logo me desesperei. Peguei o carro, e eu e minha irmã fomos para três cidades após a nossa, e, no caminho, a palheta de limpar o para-brisa do carro caiu duas vezes. Era sinal? Talvez. Cheguei à maternidade da cidade vizinha e logo o médico, muito simpático, me levou para a sala de ultrassom. Meu coração estava a milhão, mas, no fundo, havia uma voz sussurrando no meu ouvido e dizendo: “Calma, Eu estou contigo!”. O médico me examinou e disse: “Está tudo bem com os dois bebês”. Meu coração explodiu de tanta felicidade, mas com um misto de medo, incerteza quanto ao futuro.

Dia 26-08 de 2025, fui fazer o ultrassom do 2º trimestre e descobri um slungue, que muitos médicos consideram uma infecção. Tratei a infecção e, logo em seguida, descobri trabalho de parto prematuro; estava com 24 semanas e 3 cm de dilatação. Um parto gemelar com essas semanas seria quase impossível os bebês sobreviverem. Fui internada novamente para parar o trabalho de parto; deu certo! Fui para casa ficar em repouso. Fiquei reinternando mais duas ou três vezes, e os cm só aumentando.

Até que, dia 18-11, fui fazer um ultrassom à tarde na mesma maternidade; estava tudo normal com as duas bebês. A médica do ambulatório pediu para eu passar na emergência. Como havia muitos pacientes, eu fui para casa comer; foi só o tempo de eu encher a barriga e a dor na lombar apertar. Voltei para a maternidade na parte de emergência; não havia ninguém para ser atendida, só eu, e para minha sorte, pois é sempre muito cheio. A essa altura, eu já estava com 8 cm de dilatação. Por volta de 19h, fui internada e, logo em seguida, fui informada que iria para o centro cirúrgico. Liguei para meu esposo e pedi para buscar ele. Ele chegou, fui para a sala de cirurgia e pedia a Deus que desse tudo certo. Levei as primeiras agulhadas de anestesia para entrar a anestesia raqui. A primeira sem sucesso, falhou; ainda sentia minhas pernas. Mais agulhadas, outra raqui, novamente não pegou. Decidiram me entubar e dar anestesia geral. Não iria escutar o primeiro choro das nenéns, mas elas iriam nascer, e nasceram lindas, totalmente saudáveis. Foram para a UTI só por causa da prematuridade mesmo.

Hoje, estamos com dois meses. Para a honra e glória do Senhor, eu tenho dois milagres em minha vida.

Responsabilidade do conteúdo por conta do autor, não reflete o posicionamento da ONG. Não nos responsabilizamos pela veracidade dos fatos.

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